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Caruru-roxo pressiona soja e já preocupa mercado

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Painel na Expo Londrina aborda manejo, riscos agronômicos e rejeição de cargas de soja por impurezas, ampliando debate no setor

 

O avanço acelerado de uma planta daninha tem colocado produtores de soja em estado de alerta e levado o tema para o centro das discussões técnicas e comerciais do setor. O caruru-roxo (Amaranthus hybridus), que já vinha preocupando lavouras do Sul do Brasil, ganhou escala nas últimas safras e agora exige respostas mais integradas de manejo e estratégia produtiva.

Diante desse cenário, a Embrapa Soja promove, durante a ExpoLondrina, um painel dedicado aos desafios no controle de plantas daninhas, reunindo pesquisadores e representantes de cooperativas como Cocamar, Coamo e Integrada. O encontro busca aprofundar a análise sobre as dificuldades enfrentadas pelos produtores, tanto no campo quanto no mercado.

Segundo o pesquisador Rafael Romero Mendes, responsável pela condução do debate, a expansão do caruru está diretamente ligada à sua agressividade e à resistência a herbicidas. “Por isso, indicamos como manejo preventivo, por exemplo, limpar o maquinário que é uma ação simples e que pode reduzir a disseminação de sementes. Outra medida válida é manter o solo sempre com palhada para reduzir a germinação do caruru”, explica Mendes.

Além das características biológicas — como rápido crescimento, alta capacidade de germinação e facilidade de dispersão —, a planta também se beneficia de falhas operacionais e da movimentação de máquinas entre áreas. O resultado é a ampliação das áreas infestadas em estados como Paraná, Santa Catarina e São Paulo, além do Rio Grande do Sul.

O uso de herbicidas pré-emergentes tem ganhado espaço como ferramenta de controle, mas exige precisão técnica. “Um dos principais pontos de atenção é o risco de fitotoxicidade — ou seja, danos que o herbicida pode causar à própria cultura”, alerta Mendes.

Outro fator que amplia a preocupação é o impacto comercial. Casos recentes de rejeição de cargas brasileiras por compradores internacionais, como a China, devido à presença de sementes de plantas daninhas, reforçam a necessidade de controle rigoroso ao longo de todo o ciclo produtivo. “Não há soluções isoladas, mas o controle deve ser bem executado desde o início, evitando que plantas invasoras completem seu ciclo”, destaca o pesquisador.

O tema reforça a conexão cada vez mais estreita entre eficiência agronômica e competitividade no mercado global. A painel está marcado para o dia 13 de abril, das 10h30 às 12h, no auditório do Pavilhão SmartAgro. A ExpoLondrina será realizada pela Sociedade Rural do Paraná dos dias 10 a 19 deste mês, no Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina, Norte do Paraná.

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