Mesmo diante de entraves políticos no Parlamento Europeu, Agência vê cenário favorável e prepara campanha para ampliar presença do Brasil na Europa
Em meio às discussões sobre a ratificação do Acordo Mercosul–União Europeia, a ApexBrasil reforçou sua estratégia de articulação política e comunicação internacional para ampliar a inserção das empresas brasileiras no mercado europeu. Durante entrevista coletiva em Brasília, o presidente da Agência, Jorge Viana, destacou que o tratado representa um marco histórico de abertura econômica e pode reposicionar o Brasil nas cadeias globais de valor.
Segundo Viana, levantamento da área de Inteligência da ApexBrasil identificou 543 oportunidades de exportação com desgravação tarifária imediata após a entrada em vigor do acordo. Esses produtos correspondem a um mercado potencial de US$ 43,9 bilhões em importações anuais da União Europeia, enquanto o Brasil exporta atualmente apenas US$ 1,1 bilhão desse total. “Esses números revelam um oceano de oportunidades para empresas brasileiras de todos os portes”, afirmou.
Embora o texto do acordo enfrente judicialização no Parlamento Europeu, o presidente da ApexBrasil avalia que o movimento não compromete o entendimento estrutural entre os blocos. “Foi uma manobra política dos que eram contra e isso faz parte do jogo da política”, disse. Para apoiar o diálogo institucional, a Agência articula, junto ao Congresso Nacional, o envio de uma comitiva brasileira ao Parlamento Europeu, com participação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e do senador Nelsinho Trad.
Paralelamente, a ApexBrasil prepara uma campanha de reposicionamento internacional para melhorar a percepção do Brasil na Europa, com foco no setor privado. “Vamos mostrar que o Brasil não é um bicho-papão”, declarou Viana. A estratégia inclui missões empresariais, encontros com parlamentares e ações de comunicação.
A União Europeia segue como o maior investidor estrangeiro no Brasil, com estoque superior a US$ 464 bilhões, o equivalente a cerca de 41% do Investimento Direto Estrangeiro no país. Para Viana, o acordo tende a impulsionar ainda mais esse fluxo, inclusive no agronegócio, com eliminação gradual de tarifas, ampliação de cotas e redução de barreiras. “Será um fluxo complementar e não concorrencial entre os blocos”, concluiu.




