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Epidemia: esporotricose bate recorde e preocupa SP

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Doença zoonótica cresce entre animais e humanos no estado de São Paulo e expõe falhas no controle e monitoramento

 

O avanço acelerado da esporotricose em São Paulo colocou autoridades e especialistas em alerta ao longo de 2025. Dados oficiais apontam que o estado ultrapassou a marca de 20 mil casos somados entre animais e humanos, configurando o maior registro já observado para a doença.

Segundo o boletim epidemiológico, foram contabilizados 12.728 casos em animais — principalmente gatos — e 7.834 em pessoas, com forte predominância de transmissão zoonótica. Cerca de 83,7% das infecções humanas tiveram origem no contato direto com felinos contaminados, enquanto o restante está associado a fontes ambientais.

A doença, causada por fungos do gênero Sporothrix, provoca lesões cutâneas que podem evoluir rapidamente e se tornar de difícil tratamento. O cenário, segundo especialistas, tende a ser ainda mais crítico do que indicam os números oficiais. “Quando analisamos os dados disponibilizados pelo CVE, vemos que houve um crescimento vertiginoso de 2024 para 2025, tanto em gatos quanto para humanos”, afirma o professor Carlos Brunner, da UNIP.

A dificuldade no controle está ligada, em grande parte, à subnotificação de casos em animais e à circulação de gatos com acesso livre às ruas. “A esporotricose precisa ser levada a sério. […] a contagem dos animais — que são os vetores de transmissão — continua a cargo de cada estado. Isso compromete muito o controle”, alerta Brunner.

Diante desse cenário, novas abordagens terapêuticas começam a ganhar espaço. Entre elas está a técnica Sporo Pulse, baseada em eletroporação, que atua diretamente na eliminação do fungo e pode reduzir o tempo de tratamento. “A cada dia que se prolonga o tratamento, aumenta o risco de transmissão a outros gatos e às pessoas”, explica Brunner, que desenvolveu a técnica.

O avanço da doença reforça a necessidade de políticas públicas mais integradas e de maior conscientização sobre prevenção, manejo e diagnóstico precoce.

Por que a esporotricose está fora de controle no Brasil

O avanço da esporotricose no Brasil, especialmente em estados como São Paulo, é resultado de um conjunto de fatores que dificultam o controle efetivo da doença. O principal deles é a dinâmica de transmissão: os gatos, principais hospedeiros e vetores, circulam livremente em ambientes urbanos, ampliando rapidamente a disseminação do fungo.

Outro ponto crítico é a subnotificação de casos em animais. Enquanto a notificação em humanos passou a ser obrigatória, o monitoramento da doença em gatos ainda depende de iniciativas estaduais, o que gera lacunas importantes na compreensão da real dimensão do problema.

A dificuldade no tratamento também contribui para a propagação. O uso prolongado de antifúngicos, aliado à baixa adesão ao tratamento — especialmente em gatos — aumenta o tempo de exposição e o risco de transmissão. Além disso, há um fator estrutural: a falta de campanhas públicas consistentes de conscientização sobre manejo responsável, diagnóstico precoce e isolamento de animais infectados.

Sem integração entre saúde humana, veterinária e políticas públicas — no conceito de “Saúde Única” — a tendência é de continuidade no avanço da doença, com impactos crescentes para a saúde pública.

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