Dependência do mercado dos EUA expõe setor, que perde valor, empregos e participação nas vendas externas em 2025
A forte dependência do mercado norte-americano cobrou um preço alto do setor florestal paranaense em 2025. A imposição de tarifas pelos Estados Unidos provocou uma retração expressiva nas exportações, afetando diretamente produtos com alta concentração naquele destino.
O impacto foi mais severo nos segmentos de molduras e portas de madeira, que concentram quase toda a sua venda externa nos EUA. As molduras registraram queda de 61%, passando de US$ 241 milhões para US$ 150 milhões, enquanto as portas recuaram 55%, de US$ 88 milhões para US$ 57 milhões.
O efeito do tarifaço foi além dos números de exportação. Segundo o presidente da APRE Florestas, Fabio Brun, “o ambiente de negócios mantém-se turbulento, o tarifaço continua sendo um grande desafio para as empresas em 2026, que precisam direcionar sua estratégia de negócio”.
Outros segmentos também sentiram a pressão, como a biomassa florestal (-38%), compensado de pinus (-13%) e celulose (-11%), refletindo não apenas as tarifas, mas também o aumento da oferta global e a queda de preços. Na contramão, poucos produtos conseguiram avançar, como serrados de folhosas (+21,4%), móveis (+11%) e papel (+2,2%), mostrando alguma diversificação de mercado.
No consolidado, as exportações florestais do Paraná somaram US$ 2,3 bilhões em 2025, queda de 9% frente ao ano anterior, o equivalente a US$ 226 milhões a menos. A participação do estado nas exportações brasileiras também recuou, de 15% para 14,5%.
Para 2026, a expectativa é de cautela, com o setor buscando alternativas comerciais e reforçando o papel das florestas plantadas na economia e na agenda ambiental.
Números-chave
- US$ 2,3 bilhões exportados em 2025
- Queda de 9% (-US$ 226 milhões)
- Molduras: -61%
- Portas: -55%
- 10 mil empregos afetados
Dependência dos EUA
Molduras (98%) e portas (95%) têm forte concentração no mercado americano.
Como reduzir a dependência dos EUA
A forte queda nas exportações do setor florestal do Paraná em 2025 escancara um ponto crítico: a elevada concentração das vendas no mercado norte-americano. Em alguns segmentos, como molduras e portas, essa dependência ultrapassa 90%, o que amplia a vulnerabilidade a medidas comerciais, como o recente tarifaço.
Para reduzir esse risco, especialistas apontam três caminhos principais.
Diversificação de mercados
Ampliar presença em regiões como Ásia, Oriente Médio e Europa pode diluir riscos e criar novas oportunidades. Países com crescimento na construção civil tendem a demandar produtos de madeira.
Aumento de valor agregado
Produtos com maior processamento e diferenciação — como móveis e itens acabados — sofrem menos impacto de tarifas do que commodities ou produtos semiacabados.
Acordos comerciais e estratégia setorial
Negociações bilaterais e atuação institucional são fundamentais para reduzir barreiras e abrir mercados. Ao mesmo tempo, empresas precisam rever portfólio e estratégias de exportação.
A experiência recente reforça que competitividade no mercado internacional não depende apenas de eficiência produtiva, mas também de posicionamento estratégico e inteligência comercial.




