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Soja acelera exportações e lidera embarques em março

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Embarque de soja no Porto de Paranaguá: produto lidera exportações

Relatório da ANEC mostra embarques em alta e mudança no ritmo do milho, pressionado pelo avanço da colheita da oleaginosa

 

O ritmo da safra 2025/26 começa a aparecer com força nos portos brasileiros. Segundo levantamento da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), os embarques de soja do Brasil devem alcançar cerca de 16,1 milhões de toneladas em março, número que consolida a oleaginosa como o principal motor das exportações agrícolas neste início de ano.

Nos dois primeiros meses de 2026, o país já embarcou 11,3 milhões de toneladas de soja, volume ligeiramente superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando os embarques somaram cerca de 10,8 milhões de toneladas.

A tendência é de aceleração nas próximas semanas, impulsionada pelo avanço da colheita nas principais regiões produtoras, especialmente no Centro-Oeste. O ritmo mais intenso da safra amplia a oferta disponível para exportação e aumenta a pressão logística nos portos brasileiros.

Milho perde espaço

Enquanto a soja ganha protagonismo, o milho começa 2026 com um ritmo mais lento de embarques. De acordo com os dados da ANEC, as exportações do cereal somaram cerca de 4,3 milhões de toneladas entre janeiro e fevereiro, volume inferior ao observado no mesmo período do ano passado.

Essa retração está diretamente ligada ao ciclo produtivo brasileiro. No primeiro trimestre, os embarques de milho costumam perder espaço nos portos para a soja, cuja colheita se concentra exatamente neste período.

A expectativa do mercado é que o milho volte a ganhar protagonismo nas exportações a partir do segundo semestre, quando a safrinha começa a chegar ao mercado internacional.

Farelo mantém ritmo

Outro destaque do levantamento é o desempenho do farelo de soja, que mantém participação relevante no fluxo exportador brasileiro. Nos dois primeiros meses do ano, os embarques do produto somaram cerca de 3,06 milhões de toneladas, volume próximo ao registrado no mesmo período de 2025.

A demanda internacional pelo farelo segue sustentada principalmente pelo setor de proteína animal, que utiliza o insumo como base para a produção de ração.

Cenário externo

O relatório também chama atenção para possíveis impactos geopolíticos no comércio internacional de grãos. A instabilidade na região do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, pode elevar custos logísticos e de seguro marítimo, afetando rotas estratégicas do comércio global.

Embora o fluxo comercial siga operando normalmente, momentos de maior tensão na região tendem a tornar o transporte marítimo mais caro e arriscado, o que pode influenciar decisões de embarque e rotas comerciais.

A projeção inicial do line-up indica que o Brasil pode embarcar cerca de 39,3 milhões de toneladas de grãos e derivados no primeiro trimestre de 2026, considerando soja, milho, farelo, trigo, DDGS e sorgo. Com a safra avançando e a logística portuária operando em ritmo intenso, o país tende a manter sua posição como principal fornecedor global de soja, especialmente para mercados como China, União Europeia e países do Oriente Médio.

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