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Safra exige eficiência e disciplina financeira

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 Jean Miranda, do BTG Pactual, alerta para margens pressionadas, impacto do diesel e cenário global incerto: “É um ano de apertar o cinto”

A safra 2025 – 2026 deve impor um dos cenários mais desafiadores das últimas décadas para o agronegócio brasileiro, com margens pressionadas, custos elevados e menor potencial de valorização das commodities. A análise é de Jean Miranda, especialista do BTG Pactual, que destaca a necessidade de uma gestão mais estratégica e eficiente dentro da porteira. Na palestra que apresentou nesta quinta-feira, dia 9, durante o Tecnoshow comigo 2026, em rio Verde (GO). Segundo Miranda, o principal risco para o produtor neste ciclo está no descompasso entre custos e preços. “As commodities não devem subir na mesma intensidade dos custos. E isso muda completamente a lógica de decisão dentro da fazenda”, realça.

Diante desse cenário, o controle de custos passa a ser o principal fator de sucesso. “O produtor não controla o preço da commodity, mas controla o que acontece dentro da lavoura. Quem for eficiente, com manejo enxuto e decisões bem calibradas, vai sair na frente”, discorre. A recomendação é atenção total a todos os itens da operação, do uso de fertilizantes ao consumo de diesel. “Não é só sobre insumo. É sobre tudo: aplicação, logística, operação. É um ano de apertar o cinto e tomar muito cuidado com crédito e investimentos”, ressalta. O aumento do custo do diesel é um dos pontos críticos. Além de impactar diretamente as operações no campo, o efeito se espalha por toda a cadeia. “O frete fica mais caro e isso é repassado em todos os níveis. No fim, essa conta sempre chega ao produtor”, compartilha Miranda.

A pressão sobre os combustíveis está diretamente ligada ao contexto geopolítico internacional, especialmente aos conflitos no Oriente Médio, que afetam a oferta global de petróleo.  Apesar dos desafios, há sinais de melhora na demanda global, o que pode trazer algum suporte ao mercado. Ainda assim, o momento exige leitura atenta do cenário internacional e planejamento de médio e longo prazo. “Não é só olhar para a próxima safra. É entender o que está acontecendo no mundo, como conflitos e mudanças econômicas impactam fertilizantes, energia e demanda. Isso influencia diretamente as decisões do produtor”, conclui.

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