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Preços do leite voltam a subir e setor inicia recuperação

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O mercado lácteo brasileiro iniciou 2026 com sinais de recuperação nos preços pagos ao produtor e nas cotações dos principais derivados. Levantamento do Embrapa Gado de Leite, por meio do Centro de Inteligência do Leite (CILeite), aponta que fevereiro registrou avanço nas cotações em diferentes segmentos da cadeia.

Segundo o boletim mensal do setor, o movimento reflete principalmente a redução da oferta de leite cru e a aproximação da entressafra, o que aumentou a disputa pela matéria-prima no mercado spot. No mercado atacadista, os preços de leite UHT e muçarela avançaram em relação a janeiro, reforçando o início de reação do setor após meses de pressão sobre as margens da cadeia produtiva.

Um dos destaques do levantamento foi o comportamento do leite spot em Minas Gerais, que registrou forte valorização nas duas quinzenas de fevereiro. De acordo com o boletim, a cotação acumulou alta de 33,6% em relação a janeiro e 22% frente ao mesmo período do ano anterior.

Esse movimento reflete a menor disponibilidade de leite cru no mercado, situação típica do período de entressafra e que tende a fortalecer o poder de negociação dos produtores. Entre os derivados, o leite UHT no atacado paulista apresentou alta relevante no comparativo anual, com valorização de 16,5% frente a fevereiro de 2025, além de avanço de 11,1% em relação a janeiro de 2026.

A muçarela também registrou alta, com avanço de 13,4% em 12 meses e 2,8% no comparativo mensal, acompanhando o movimento de recuperação do mercado de lácteos. Já o leite em pó apresentou comportamento mais estável, com oscilações ao longo do mês, mas praticamente sem variação relevante em relação a janeiro.

No cenário internacional, o índice de preços do Global Dairy Trade (GDT) também manteve trajetória de alta durante fevereiro, contribuindo para um ambiente externo mais favorável para o setor lácteo brasileiro.

Conseleites projetam aumento no pagamento ao produtor

As projeções dos Conseleites estaduais indicam que o leite entregue em fevereiro e pago em março deve apresentar valorização em todos os estados analisados. As estimativas apontam aumento de:

  • 4,2% no Paraná
  • 3,7% em Santa Catarina
  • 2,8% em Minas Gerais
  • 2,0% no Rio Grande do Sul

Segundo o boletim, o resultado reforça a melhora das perspectivas para o setor neste início de ano, após um período de queda observado nos meses anteriores.

O boletim aponta ainda que o mercado pecuário apresentou forte valorização em fevereiro. A arroba do boi subiu impulsionada pela oferta limitada de animais para abate e pela demanda firme, inclusive no mercado externo. No mercado de reposição, o preço do bezerro também avançou, indicando menor disponibilidade de animais jovens. Esse movimento reforça o cenário de recuperação gradual das cadeias pecuárias no início de 2026.

Por que o preço do leite voltou a subir

Depois de meses de pressão sobre as margens da pecuária leiteira, o mercado começa a mostrar sinais de recuperação em 2026. A alta recente nas cotações do leite e de alguns derivados está ligada principalmente a mudanças na oferta de matéria-prima e no comportamento da cadeia produtiva.

Especialistas apontam alguns fatores que explicam esse movimento.

  • Menor oferta de leite cru
    Com a aproximação do período de entressafra, a produção tende a cair em várias regiões produtoras, reduzindo a disponibilidade de matéria-prima para a indústria.
  • Disputa no mercado spot
    A menor oferta aumentou a competição entre laticínios pelo leite cru, provocando fortes altas no chamado mercado spot — referência importante para o setor.
  • Valorização dos derivados
    Produtos como leite UHT e muçarela registraram aumento no atacado, o que melhora a capacidade de pagamento da indústria ao produtor.
  • Ambiente internacional mais favorável
    A recuperação dos preços globais de lácteos também contribui para um cenário externo mais positivo para o setor.
  • Ajuste após meses de queda
    A pecuária leiteira enfrentou um período prolongado de preços baixos, o que levou muitos produtores a reduzir produção ou adiar investimentos — movimento que também contribui para limitar a oferta.

Para analistas do setor, a tendência é de continuidade da recuperação nos próximos meses, especialmente se a produção permanecer ajustada e o consumo interno seguir estável.

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