Uma empresa do GRUPO PUBLIQUE

Ozônio elimina toxinas no milho e pode mudar ração no país

Compartilhe:

SiloBio, desenvolvido pela Embrapa, reduz fungos, toxinas e resíduos químicos em larga escala e promete impacto direto na cadeia de suínos e aves

 

Micotoxinas são um dos maiores riscos invisíveis da cadeia de grãos no Brasil. Elas comprometem a sanidade da ração, reduzem desempenho animal e geram prejuízos silenciosos ao produtor. Agora, uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa Milho e Sorgo em parceria com a empresa Nascente promete virar esse jogo.

Batizado de SiloBio, o sistema utiliza gás ozônio para descontaminar grãos armazenados. Em testes, a tecnologia reduziu em até 88% os teores de fumonisinas e eliminou até 96% de fungos como Fusarium e Penicillium — sem comprometer proteínas, lipídeos ou qualidade nutricional.

“A Embrapa iniciou pesquisas com foco na redução de fumonisinas”, explica o pesquisador Marco Aurélio Pimentel. Segundo ele, mesmo após longos períodos de aplicação, “a qualidade dos grãos foi mantida”.

O problema é sério. A Anvisa estabelece limite de 5.000 μg/kg para fumonisinas em milho, mas cadeias de suínos e aves trabalham com tetos muito menores, próximos de 1.000 μg/kg. Grãos acima desse padrão significam risco sanitário, queda de desempenho e perdas financeiras.

O diferencial do SiloBio está no escalonamento industrial. O equipamento combina silo e biorreator, com aplicação homogênea de ozônio. Após agir, o gás retorna a oxigênio puro — processo sem resíduos.

“Vimos a chance de oferecer uma alternativa tecnológica e limpa, gerando eficiência e rentabilidade”, afirma Leonardo Tuschi, diretor da Nascente. A expectativa é que o investimento possa se pagar em menos de dois anos, principalmente pela redução de químicos complementares e melhoria no desempenho animal.

Em um cenário de exigência crescente por ESG, segurança alimentar e eficiência produtiva, a tecnologia coloca a sanidade do grão no centro da estratégia do agro brasileiro.

 

Encontre na AgroRevenda