Relatórios de mercado indicam queda na demanda por carboidratos e maior busca por proteínas de alto valor nutricional
A forma como o brasileiro se alimenta passa por uma transformação acelerada, impulsionada por fatores que vão além do preço. A busca por longevidade, aliada à popularização de medicamentos análogos ao GLP-1, utilizados para controle de peso, começa a alterar o equilíbrio entre os principais grupos alimentares consumidos no País. A mudança já impacta o agronegócio, o varejo e a indústria de alimentos, com efeitos diretos sobre a demanda por proteínas animais.
Estimativas de mercado apontam que o Brasil conta atualmente com 4 a 6 milhões de usuários regulares desses medicamentos, concentrados principalmente nas classes A e B, posicionando o País como o segundo maior mercado mundial dessa categoria. O efeito prático é a redução do apetite e uma escolha mais criteriosa dos alimentos. Dados setoriais indicam que 56% dos usuários priorizam porções menores e nutricionalmente mais densas, o que resulta em retração no consumo de carboidratos refinados e crescimento da demanda por proteínas.
Nesse contexto, a carne suína se destaca como alternativa estratégica. Projeções indicam que o Brasil deve liderar o crescimento global da produção suína em 2026, com expansão estimada entre 1,3% e 3,8%, favorecida pelo menor custo da ração e pela migração do consumo para proteínas. A tendência também impulsiona o desenvolvimento de produtos com apelo funcional, como cortes prontos para consumo e embutidos de maior qualidade, com menos sódio e rótulos mais limpos.
No varejo, o movimento acelera a chamada “servitização”, com supermercados assumindo papel mais consultivo, oferecendo curadoria nutricional e experiências personalizadas. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, entender esse novo comportamento é decisivo para a competitividade do setor. “Em um mercado que se redefine em tempo recorde, a antecipação é o nosso maior diferencial. A ABCS atua como o elo estratégico que traduz essas novas demandas de consumo em oportunidades reais”, afirma.
Enquanto isso, o segmento de grãos enfrenta o desafio de se adaptar, direcionando esforços para maior eficiência na alimentação animal, em um cenário em que a demanda por proteínas segue em níveis elevados. Análise da ABCS teve como bases dados do Agro Estadão, Relatório Itaú BBA (Agro Mensal), Conab, ABPA, IQVIA e Euromonitor.




