Fiscalização reforça alerta sobre impacto em produtividade, sanidade e concorrência no agronegócio brasileiro
A apreensão de 1.447 toneladas de sementes irregulares no Rio Grande do Sul acendeu um alerta no agronegócio brasileiro: o avanço do mercado ilegal pode comprometer diretamente a produtividade, a rentabilidade e a segurança sanitária das lavouras. A operação, conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), evidencia a dimensão de um problema que cresce de forma silenciosa dentro da cadeia produtiva.
A chamada Operação Semente Segura III identificou não apenas volumes expressivos de material irregular, mas também inconsistências documentais que reforçam a presença de comercialização clandestina no setor. O cenário é especialmente preocupante no segmento de sementes forrageiras, onde ainda há significativa oferta de produtos sem origem comprovada.
Segundo Ricardo Leite, secretário-geral da Delegacia Sindical do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) no Rio Grande do Sul, a produção formal de sementes segue uma cadeia rigorosa de controle. “A semente precisa cumprir exigências que asseguram procedência, identidade e rastreabilidade. Quando essas etapas não são atendidas, o produtor fica exposto a adquirir um material sem garantias mínimas de qualidade”, afirma.
Os riscos vão além da irregularidade documental. “O produtor pode comprar um material diferente do anunciado, com contaminação por outras espécies, presença de patógenos e menor potencial produtivo”, explica Leite.
Na prática, isso se traduz em perdas de produtividade, aumento de custos e possíveis danos de longo prazo à lavoura ou à pastagem. O problema também gera impactos sistêmicos: favorece a disseminação de pragas, compromete a formação de preços e prejudica empresas que atuam dentro da legalidade.
Para o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo de Macedo, a fiscalização tem papel decisivo na proteção da cadeia. “Quando se combate a irregularidade na origem, protege-se a produção, a renda no campo, a oferta de alimentos e a competitividade do país”, destaca.
Diante desse cenário, a orientação aos produtores é redobrar a atenção na aquisição de sementes, verificando o registro dos fornecedores e exigindo documentação como certificados ou termos de conformidade.
Mais do que uma questão pontual, o avanço do mercado ilegal revela um risco estrutural: a fragilização de um dos pilares da produção agrícola — a qualidade da semente —, base sobre a qual se constrói toda a produtividade no campo.




