Leite pago ao produtor caiu, em dezembro, 22,6% em 12 meses; em janeiro, importações chegaram a 173 milhões de litros, com exportações em retração
O ano terminou com queda no preço do leite ao produtor e piora na capacidade de compra de ração, segundo o boletim “Indicadores Leite e Derivados – Fevereiro/2026”, do Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite. A média nacional do preço líquido ficou em R$ 2,00 por litro em dezembro de 2025, recuo de 5,4% frente a novembro e de 22,6% em relação a dezembro de 2024.
Entre os estados acompanhados, os valores pagos ao produtor em dezembro variaram de R$ 2,12/litro em SP a R$ 1,88/litro em GO, com quedas mensais que chegaram a -7,3% em MG e -7,0% em GO. RS e PR apareceram próximos de R$ 2,01 e R$ 2,00 por litro, respectivamente.
Além do preço menor, a relação de troca leite/mistura (70% milho e 30% farelo de soja) “apresentou forte piora” em dezembro: foram necessários 40,9 litros de leite para comprar 60 kg de ração. No varejo, a cesta de lácteos caiu 2,3% em janeiro de 2026 e recuou 5,6% em 12 meses; o iogurte subiu 0,8%, enquanto o leite UHT teve a maior queda (-5,6%).
No comércio exterior, o boletim aponta aumento das compras brasileiras: as importações somaram 173 milhões de litros equivalentes em janeiro, alta de 8,1% no mês (e queda de 14,3% em 12 meses), com destaque para leite em pó. As exportações caíram 16,4% na comparação mensal, totalizando 4,2 milhões de litros equivalentes (-10,6% em 12 meses). No acumulado de 2026, o saldo ficou deficitário em US$ 173 milhões (72 milhões de litros equivalentes).
Como sinal de mercado, os preços internacionais reagiram: na primeira quinzena de fevereiro, o leite em pó integral subiu 5,4% (US$ 3.614/t) e o desnatado, 11,0% (US$ 2.874/t).




