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Mercado de biológicos supera R$ 6,2 bilhões em 2025

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Expansão de uso e integração com defensivos impulsionam novo ciclo no agronegócio brasileiro

 

O avanço dos bioinsumos no Brasil deixou de ser tendência e passou a configurar uma nova base tecnológica do agro. Em 2025, o mercado desses produtos atingiu R$ 6,2 bilhões, impulsionado por uma adoção crescente nas lavouras e pela necessidade de estratégias mais sustentáveis e eficientes no controle de pragas e doenças.

Dados do boletim trimestral da CropLife Brasil mostram que a área tratada com soluções biológicas chegou a 194 milhões de hectares, com expansão superior a 28% no período. O movimento reflete não apenas a ampliação do uso, mas também a intensificação das aplicações e a integração com outras tecnologias no campo.

Entre os segmentos, os biofungicidas lideraram o crescimento em valor, com alta de 41%, enquanto os bioinseticidas mantiveram a maior participação de mercado, representando 35% do total. Já os bionematicidas consolidaram-se como um dos pilares do setor, alcançando R$ 1,8 bilhão e presença em 44 milhões de hectares.

O avanço está diretamente ligado à maturidade do produtor rural, que passou a incorporar os biológicos como parte do manejo integrado. “Ao longo dos últimos anos o produtor rural adquiriu maturidade sobre eficácia do uso do produto biológico e passou a usá-lo como ferramenta do manejo integrado”, destaca o relatório da CropLife Brasil.

Na prática, culturas como algodão e soja já apresentam níveis relevantes de adoção, com impactos positivos na produtividade e na saúde do solo. Além disso, o uso combinado de soluções biológicas e químicas vem ampliando a eficiência no controle de pragas como percevejos, cigarrinhas e nematoides.

O cenário reforça uma mudança estrutural no modelo produtivo, em que tecnologia, sustentabilidade e eficiência econômica passam a caminhar de forma cada vez mais integrada no campo brasileiro.

Por que os bioinsumos avançam tão rápido no Brasil

O crescimento acelerado dos bioinsumos no país não é um fenômeno isolado, mas resultado da convergência de fatores técnicos, econômicos e regulatórios. No campo, a pressão crescente por resistência de pragas tem exigido soluções mais diversificadas, tornando o manejo integrado praticamente obrigatório em diversas culturas.

Ao mesmo tempo, a agenda ESG vem ganhando peso nas decisões de produtores, cooperativas e tradings, especialmente diante das exigências de mercados internacionais. Nesse contexto, os biológicos deixam de ser uma alternativa e passam a ser parte estratégica do sistema produtivo.

Outro vetor importante é o custo-benefício. Com a maior oferta de produtos e a evolução tecnológica, os bioinsumos vêm apresentando ganhos consistentes em eficiência, sobretudo quando utilizados de forma complementar aos defensivos químicos.

Além disso, a profissionalização do produtor rural e o avanço da assistência técnica têm contribuído para reduzir barreiras de adoção, consolidando um novo padrão tecnológico no agro brasileiro — mais integrado, resiliente e orientado por dados.

Biológicos e químicos: como funciona a integração no manejo moderno

A combinação entre defensivos biológicos e químicos já é uma realidade no campo e representa uma das principais estratégias para aumentar a eficiência produtiva e reduzir riscos nas lavouras. Esse modelo, conhecido como manejo integrado, permite explorar o melhor de cada tecnologia.

Enquanto os produtos químicos atuam com resposta mais imediata no controle de pragas e doenças, os biológicos contribuem para o equilíbrio do sistema, com ação mais prolongada e menor impacto ambiental. Juntos, ampliam o espectro de controle e ajudam a retardar a resistência de organismos indesejados.

Na prática, essa integração ocorre em diferentes momentos do ciclo produtivo, desde o tratamento de sementes até aplicações foliares e no solo. O uso combinado também favorece a saúde do solo e melhora a eficiência do sistema como um todo.

A tendência é que esse modelo se intensifique nos próximos anos, com protocolos cada vez mais técnicos e personalizados. Para o produtor, o desafio deixa de ser escolher entre tecnologias e passa a ser como integrá-las da forma mais eficiente dentro da sua realidade produtiva.

 

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