Presidente do InpEV, executivo ajudou a estruturar o Sistema Campo Limpo e consolidar o Brasil como referência em logística reversa de embalagens agrícolas
Durante décadas, o agronegócio brasileiro enfrentou um dilema silencioso: como aumentar a produção de alimentos sem ampliar o impacto ambiental no campo. Uma das respostas para esse desafio nasceu dentro da própria cadeia produtiva — e tem a assinatura de um engenheiro agrônomo que ajudou a transformar o Brasil em referência global em logística reversa de embalagens agrícolas.
Esse engenheiro é Marcelo Okamura, atual presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), entidade responsável pela gestão do Sistema Campo Limpo, programa que organiza a destinação correta de embalagens pós-consumo utilizadas na agricultura.
Com quase 40 anos de atuação no setor, Okamura construiu uma trajetória que atravessa diferentes momentos da evolução da sustentabilidade no campo. Ao longo da carreira, passou pela indústria, pelo debate regulatório e pela articulação institucional que permitiu estruturar, no Brasil, um modelo de responsabilidade compartilhada envolvendo produtores rurais, distribuidores, fabricantes e poder público.
Esse arranjo se transformou em referência internacional na gestão de resíduos do setor agrícola, demonstrando que é possível combinar produtividade, organização da cadeia e compromisso ambiental em escala nacional.
A ligação de Okamura com o tema da sustentabilidade no agro começou ainda nos primeiros anos de atuação profissional, quando o debate sobre destinação de embalagens agrícolas ainda era incipiente no país.
Ao longo das décadas seguintes, ele participou da construção de soluções técnicas e institucionais que ajudaram a estruturar o sistema de logística reversa hoje consolidado no Brasil. A experiência acumulada ao longo dessa jornada o transformou em uma das vozes mais reconhecidas do setor quando o assunto é economia circular aplicada ao agronegócio.
Atualmente, à frente do InpEV, o executivo acompanha a expansão e a modernização das operações do Sistema Campo Limpo, que envolve uma rede nacional de unidades de recebimento, processamento e destinação ambientalmente correta de embalagens agrícolas.
Desafio permanente: ampliar alcance
Apesar dos avanços, o fortalecimento da logística reversa no agro continua sendo um processo em evolução. Um dos focos atuais do sistema é ampliar a participação dos produtores rurais e reforçar a eficiência operacional da rede de recebimento e processamento.
Para 2026, a meta é ampliar o volume de embalagens recebidas pelo sistema, reforçando o papel do programa como um dos principais exemplos de gestão ambiental estruturada dentro da cadeia agroindustrial brasileira.
Mais do que números, porém, o que está em jogo é a consolidação de um modelo que conecta produtividade agrícola e responsabilidade ambiental — uma agenda cada vez mais central para o futuro do agronegócio.




