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Leite sobe no campo, mas margem ainda preocupa

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Indicadores mostram recuperação pontual no preço ao produtor, enquanto custos, importações e déficit externo pressionam o setor

 

O mercado de leite no Brasil iniciou 2026 com sinais mistos: enquanto o preço pago ao produtor registrou leve reação, a rentabilidade segue pressionada por custos elevados e perda de poder de compra. Em janeiro, o valor médio nacional foi de R$ 2,02 por litro, com alta de 1,2% frente ao mês anterior, mas queda expressiva de 23,7% na comparação anual.

Mesmo com sinais de reação nos preços, o produtor ainda enfrenta um cenário de margem comprimida. O principal desafio não é o valor do leite em si, mas a relação com os custos — especialmente alimentação. Sem uma queda consistente nos insumos ou avanço mais forte nos preços, a recuperação do setor tende a ser lenta.

Na prática, o alívio no preço não foi suficiente para compensar o avanço dos custos. A relação de troca entre leite e mistura (70% milho e 30% farelo de soja) continua desfavorável: foram necessários 40,7 litros de leite para adquirir 60 kg de ração, indicando piora significativa em relação ao mesmo período do ano passado.

No varejo, os preços dos lácteos mostraram comportamento moderado. Em fevereiro, a cesta apresentou alta de 0,7% no mês, mas acumula queda de 5,1% em 12 meses — abaixo da inflação geral de 3,8%, medida pelo IPCA. Entre os produtos, o leite UHT teve a maior alta mensal (1,2%), enquanto o leite condensado registrou a maior queda (-1,0%).

O cenário externo também adiciona pressão. As importações brasileiras de lácteos somaram 176 milhões de litros equivalentes em fevereiro, com leve alta mensal de 1,7%, embora ainda abaixo do volume registrado um ano antes. Já as exportações avançaram 21,5% no mês, totalizando 5,1 milhões de litros equivalentes, mas seguem inferiores ao mesmo período de 2025.

O resultado é um déficit relevante na balança comercial do setor. No acumulado de 2026, o saldo negativo alcança US$ 340 milhões, equivalente a 144 milhões de litros de leite.

No mercado internacional, os preços também mostram recuperação. O leite em pó integral subiu 5,5% na primeira quinzena de março, cotado a US$ 3.863 por tonelada, enquanto o desnatado avançou 10,9%, chegando a US$ 3.243 por tonelada.

O conjunto dos indicadores reforça um cenário de transição: embora haja sinais pontuais de recuperação nos preços, a cadeia do leite ainda enfrenta desafios estruturais ligados à competitividade, custos de produção e equilíbrio entre oferta interna e comércio exterior.

 

 “O que está apertando o produtor?”

  • Queda anual de 23,7% no preço do leite
  • Custo da ração ainda elevado (milho + soja)
  • Relação de troca pior: 40,7 litros por 60 kg
  • Importações ainda altas no mercado interno
  • Margem comprimida mesmo com leve alta recente

 “Os números-chave do leite em 2026”

  • R$ 2,02/litro (jan/26)
  • +1,2% no mês
  • -23,7% em 12 meses
  • +0,7% lácteos no varejo (fev)
  • Déficit externo: US$ 340 milhões

 

 “O que vem de fora está influenciando o mercado”

  • Alta no leite em pó internacional pressiona preços internos
  • Importações seguem relevantes, mesmo com recuo anual
  • Exportações crescem, mas ainda em patamar baixo
  • Brasil segue deficitário na balança de lácteos

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