Projeto expande modelo já testado e aposta em inclusão digital para elevar renda, produtividade e permanência no campo
A transformação digital começa a chegar onde historicamente ela sempre demorou mais: os assentamentos rurais. Uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Embrapa vai levar conectividade e tecnologias digitais a três áreas no interior de São Paulo, com potencial direto de impacto na produtividade, na renda e na qualidade de vida no campo.
O anúncio foi feito em Campinas (SP), durante a Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias para a Agricultura Familiar, e marca uma nova etapa na tentativa de reduzir o chamado “apagão digital rural”, que ainda limita o avanço da agricultura familiar em diversas regiões do País.
A iniciativa prevê a implantação de Distritos Agrotecnológicos (DATs) nos municípios de Iperó, Miracatu e Pereira Barreto. O modelo replica a experiência do projeto Semear Digital, que já atua com dez unidades em diferentes regiões brasileiras, focado na inclusão digital e produtiva.
Na prática, os assentamentos receberão antenas para ampliar o acesso à internet, além de programas de capacitação em letramento digital e a introdução de tecnologias voltadas às cadeias produtivas locais. Entre as soluções previstas estão aplicativos móveis, plataformas digitais e ferramentas de apoio à assistência técnica.
Mais do que conectividade, o projeto aposta em uma mudança estrutural: integrar tecnologia à rotina do produtor rural. Segundo representantes do MDA, a escolha das áreas levou em conta tanto a baixa disponibilidade de conectividade quanto demandas específicas identificadas junto aos territórios. A estratégia combina infraestrutura, capacitação e soluções adaptadas à realidade da agricultura familiar — um ponto crítico para garantir adoção efetiva das tecnologias.
A coordenação das ações ficará a cargo da Embrapa Agricultura Digital, unidade sediada em Campinas, responsável por articular a execução e conectar diferentes instituições ao projeto.
O impacto esperado vai além da produtividade. A proposta também busca reduzir desigualdades no campo, fortalecer a assistência técnica, ampliar oportunidades de geração de renda e estimular a permanência da juventude rural nas propriedades.
Criado em 2023, o Semear Digital já atua como um “laboratório vivo” em diferentes regiões do país, com aplicação de tecnologias como inteligência artificial, sensoriamento remoto, automação e agricultura de precisão. Atualmente, o projeto abrange cerca de 15 cadeias produtivas, funcionando como base para expansão de soluções digitais no agro.




