Empresa formada em 2020 por dois pesquisadores desenvolve tecnologia e passa, agora, a entregar produtos prontos para serem levados ao mercado.
A desenvolvedora de bioinsumos para agricultura IdeeLab Biotecnologia inaugurou nesta quinta-feira (17/07) sua planta industrial em Cambé, município na Região Metropolitana de Londrina, no Norte do Paraná. A inauguração é resultado de um trabalho intenso nos últimos anos e marca a entrada da empresa na produção final de bioinsumos. Desde a sua criação, em 2020, a IdeeLab desenvolvia tecnologias que eram finalizadas por indústrias clientes. Agora, a empresa passa a oferecer ao mercado produtos prontos.
O modelo de negócio escolhido é o B2B, em que a IdeeLab fornece o produto acabado a empresas parceiras que vão colocar suas marcas e fazer chegar esse produto ao consumidor final. A planta industrial reúne os equipamentos mais modernos para produção de insumos biológicos. Foram investidos R$ 30 milhões na implantação da fábrica, que tem capacidade de produção de 1 milhão de litros e uma perspectiva de chegar, nos próximos três anos, a 300 empregos diretos e indiretos gerados.
A fábrica foi projetada para uma expansão futura na produção de bioinsumos, que pode chegar a 6 milhões de litros anuais, explica o CEO e cofundador da empresa, Ronaldo Dalio. A nova planta, de aproximadamente 3 mil metros quadrados, vai operar sob rígidos padrões de qualidade alinhados às exigências internacionais. Ela está equipada com biorreatores de 100 a 5 mil litros e sistemas automatizados, com uma capacidade de produção de 1 milhão de litros de bioinsumos por ano.
A empresa pode também tanto exportar como desenvolver produtos adaptados ao clima brasileiro para multinacionais que desejam comercializar no Brasil, escapando de eventuais taxações e reduzindo custos e impacto ambiental associado ao transporte por longas distâncias. A expansão da IdeeLab ocorre em um cenário estratégico para o mercado de bioinsumos no Brasil e no mundo. Ronaldo Dalio destaca que o Brasil é o país que mais utiliza biológicos na agricultura, com uma adesão de cerca de 60% dos produtores. A taxa de crescimento anual da adoção dessas tecnologias de 16% indica que os biológicos deverão estar presentes em 90% das propriedades num futuro próximo. “Não será o fim dos químicos, pois essa indústria também está avançando e trazendo tecnologias que funcionam bem com os biológicos, com baixo impacto ambiental e alta eficiência”, ressalta Dalio.
A inauguração da fábrica da IdeeLab Biotecnologia contou com a presença de sócios, parceiros e clientes da empresa e de autoridades. O prefeito de Cambé, Conrado Scheller, destacou a importância da instalação da indústria não apenas pela geração de empregos, mas por transformar o município num centro tecnológico de bioinsumos. “Ficamos muito felizes de Cambé ter sido escolhida. A prefeitura é uma grande parceira e incentivadora do desenvolvimento e do empreendedorismo. São os empresários que sustentam a cidade, pois geram oportunidades e riqueza para as pessoas”, afirmou Conrado.

Confira a entrevista com o CEO e cofundador da empresa, Ronaldo Dalio:
O que representa essa inauguração para a IdeeLab?
Ronaldo Dalio – “Estamos muito felizes porque hoje marca o fim de uma trajetória que começou com um conceito muito simples, que era desenvolver inovação para a agricultura. Nós temos o nosso centro experimental em Piracicaba [SP] e nos demos conta de que as inovações que a gente estava produzindo eram produtos de alta tecnologia. E que precisávamos de uma fábrica própria que conseguisse produzir esses ativos de alta complexidade biotecnológica. Hoje temos a condição de não só desenvolver inovação, como também produzir esses ativos e entregar para os nossos clientes um produto pronto, acabado, para ser distribuído ao campo.
Essa é a primeira planta industrial da empresa…
Ronaldo Dalio – Essa é a única planta nossa, única unidade fabril. O que temos em Piracicaba é o nosso centro experimental. É lá que a gente desenvolve a inovação. Nós temos 40 pesquisadores, 16 deles são PhDs, e lá a gente desenvolve biodefensivo, promotores de crescimento, fixadores de nitrogênio, uma série de produtos para ou proteger ou aumentar a produtividade. É um momento chave, porque até antes a gente só desenvolvia a tecnologia e transferia para o cliente e o cliente que tinha que se preocupar com fabricação, distribuição e tudo. Agora a gente tem a fábrica. Conseguimos produzir, entregar para o nosso cliente que vai distribuir e isso chega na prateleira, chega no produtor rural.
Vocês vão trabalhar com marcas próprias?
Ronaldo Dalio – Não, nosso modelo de negócio, a gente não tem marca própria, essa é uma vantagem para outras empresas do setor, porque como a gente não tem marca própria, as empresas, a gente pode desenvolver a inovação de maneira customizável, a gente transfere com exclusividade para o nosso cliente e o nosso cliente pode acessar o mercado de maneira livre. Como a gente não tem marca própria, não temos o nosso próprio time comercial, a gente não baliza o preço do produto no mercado. Nosso cliente pode explorar a precificação, métodos de venda, posicionamento de produto. Isso está escrito em pedra no nosso estatuto, a gente desenvolve a tecnologia e fabrica, mas nós nunca teremos marca própria ou time nosso no campo, exatamente porque nós não queremos nos tornar concorrentes dos nossos clientes.
A produção já foi iniciada?
Ronaldo Dalio – Já começamos a produção. Temos que testar, validar toda a operação e a expectativa é depois dessa inauguração que já começar as produções. É claro que tem ainda algumas coisas que a gente precisa fazer de regulatório, de MAPA, de EP, de registro de produto, mas a gente já tem as condições de produzir os produtos de altíssima qualidade.
E quais itens serão produzidos aqui?
Ronaldo Dalio – Essa fábrica tem a capacidade de produzir diversos tipos de produtos, temos focado no que acreditamos ser a segunda onda dos biológicos, que não é mais trabalhar com célula, misturas de fungo, de bactéria, e sim com as moléculas que eles produzem. O design todo dessa fábrica foi de altíssima tecnologia para que a gente possa produzir metabólitos, peptídeos e RNA, a mesma tecnologia das vacinas do Covid-19, por exemplo. Essa é uma das fábricas mais modernas do Brasil e a gente acredita que o que a gente vai produzir aqui vai compor essa segunda onda de biológicos, de produtos mais inovadores, mais tecnológicos e que geram mais produtividade e sustentabilidade.
Como foi o surgimento da empresa?
Ronaldo Dalio – A empresa surgiu em Piracicaba, foi fundada por mim e pelo professor Sérgio Pascholati. Trabalhávamos juntos no laboratório dentro da universidade e a gente começou a perceber que as empresas vinham nos procurar para desenvolver inovação. Naquela época, estou falando de 2018 mais ou menos, as empresas para ter inovação na agricultura recorriam à Embrapa ou às universidades e a gente percebeu que faltava uma empresa que fizesse inovação customizável para os clientes. Percebemos esse nicho, montamos a empresa, começamos a trabalhar. Éramos cinco no início. Hoje no nosso centro experimental somos mais de 40 profissionais, 16 deles PHDs. Já transferimos ao longo desses cinco anos 30 tecnologias, já temos 11 produtos no mercado. Esse ano a gente já transferiu 11 tecnologias e a gente espera até o fim do ano ter mais 30 transferidas. Isso, sem dúvida nenhuma, é recorde nacional e talvez – eu não tenho os números – até mundial de número de produtos de inovação para a agricultura, no que fere aos biológicos e a biotecnologia.
Você está otimista com o mercado da biotecnologia no Brasil?
Ronaldo Dalio – Sim, eu estou super otimista. É claro que a agricultura como um todo, principalmente esse ano, está um pouco mais devagar do que a gente esperava. Tudo por conta de todos esses problemas econômicos que a gente está vendo. Mas o que a gente tem percebido é que os biológicos e principalmente esses que a gente tem focado, que são os biotecnológicos, peptídeos, RNA, metabólitos, estão entregando uma produtividade muito interessante por um ótimo custo-benefício também e de uma maneira sustentável. Acredito que, independente de problemas econômicos ou de qualquer interferência externa, essas tecnologias vieram para ficar e cada vez mais o produtor está adotando, cada vez mais o produtor está usando e ficando feliz com o resultado. Acredito que o crescimento vai ser exponencial para os próximos anos.




