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FPA critica medidas do governo para conter inflação dos alimentos

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) divulgou nota oficial em que define como ineficazes das medidas anunciadas pelo governo federal com a justificativa de baixar a inflação dos alimentos. Segundo a FPA, não é transferindo para os produtores rurais o ônus de bancar o desequilíbrio do gasto público do governo para os produtores rurais que o país terá uma comida mais barata e uma produção economicamente viável.

Confira a íntegra da nota:

 

NOTA OFICIAL:

Medidas do governo federal para conter inflação de alimentos são ineficazes

A redução mais eficiente para combater a inflação de alimentos é a colheita da safra brasileira que ocorre nos próximos meses e a correção de ações que impactam diretamente o custo de produção no Brasil. Importante registrar:

1.⁠ ⁠O problema da inflação não é a oferta de alimentos. O governo federal tenta criar a narrativa de buscar soluções, quando o problema está concentrado no seu próprio desequilíbrio fiscal, responsável por onerar os custos e por alavancar a inflação;

2.⁠ ⁠⁠Não é transferindo o ônus de bancar o desequilíbrio do gasto público do governo para os produtores rurais que teremos uma comida mais barata e uma produção economicamente viável;

3.⁠ ⁠⁠As medidas apresentadas pelo governo federal, nesta quinta-feira (06/03), são pontuais e ineficazes para efeito imediato, especialmente quando se gasta recurso interno ao zerar impostos para produtos importados, sem garantir o reforço ao apoio da produção brasileira;

4.⁠ ⁠⁠A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ressalta a necessidade de iniciar as tratativas do novo Plano Safra 25/26, com a garantia de implementação total de recursos, do acesso pleno e com juros adequados aos produtores rurais brasileiros; e

5.⁠ ⁠Aguardamos ainda um retorno do governo federal sobre as medidas estruturantes de curto e médio prazo apresentadas pela FPA, em conjunto com o setor produtivo nacional, na última sexta-feira (28/02), ao Ministério da Fazenda e à Casa Civil.

Frente Parlamentar da Agropecuária

 

Setor produtivo e bancada do agro sugerem ações

 

A escalada constante dos preços dos alimentos no Brasil impacta tanto os consumidores nos supermercados quanto os produtores rurais, que enfrentam custos de produção cada vez mais elevados. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) enviou um ofício aos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Casa Civil, Rui Costa, com 20 sugestões elaboradas por entidades do setor que integram o Instituto Pensar Agro (IPA), para reduzir os preços dos alimentos.

O documento reúne nove medidas de curto prazo e 11 de médio e longo prazo. Segundo a FPA, ações emergenciais são necessárias, mas não substituem reformas estruturais que garantam previsibilidade e competitividade ao setor no longo prazo. O presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), destaca que investimentos em infraestrutura e logística, ampliação do crédito ao produtor rural e um ajuste na política fiscal são fundamentais para conter a inflação dos alimentos de maneira sustentável.

“Apresentamos soluções imediatas para amenizar o sofrimento da população que se assusta cada dia mais com os preços dos alimentos e do produtor que está fazendo o impossível para produzir e pagar suas contas. Mas é claro que precisamos reestruturar nossa estratégia econômica e evitar distorções de mercado que possam comprometer a competitividade do agro brasileiro”, explicou.

Gastos públicos e impacto na inflação – Outro ponto levantado no documento é o aumento dos gastos públicos e a desvalorização cambial. Para Lupion, a incerteza fiscal gera desconfiança no mercado, reduzindo o poder de compra da população e encarecendo insumos agrícolas, o que prejudica a produção e, consequentemente, os preços dos alimentos.

“O governo gasta muito mais do que arrecada e, até agora, não demonstrou preocupação com isso. Defendemos o agro e sabemos da responsabilidade do setor na geração de emprego e renda para o país, no desenvolvimento tecnológico e no protagonismo mundial. Estaremos sempre na linha de frente para defender a população e o produtor rural”, disse Lupion.

A expansão dos gastos públicos e a instabilidade fiscal também contribuem para a desvalorização do real, elevando a inflação e o custo dos alimentos. Em 2024, as despesas do governo federal chegaram a R$ 62,5 bilhões, agravando esse cenário.

A perda de valor da moeda brasileira encarece insumos importados essenciais para a produção agropecuária e reduz o poder de compra das famílias. Além disso, a alta carga tributária sobre insumos agrícolas, energia e transporte aumenta os custos de produção e dificulta a formação de preços acessíveis ao consumidor.

Não há falta de alimentos nas prateleiras, mas sim um desafio econômico que precisa ser enfrentado com políticas estruturais para reduzir custos e aumentar a previsibilidade nos preços dos alimentos.

Impactos da alta dos alimentos para a população – O aumento dos preços dos alimentos afeta desproporcionalmente as famílias de baixa renda, para as quais esses itens representam uma parcela significativa do orçamento doméstico. Segundo o INPC-IBGE, entre as famílias com renda de até cinco salários mínimos, os alimentos correspondem a 25% das despesas mensais. Para aquelas que ganham até dois salários mínimos, esse percentual ultrapassa 30%.

A desvalorização do real limita a capacidade de compra das famílias, encarecendo os alimentos e dificultando o acesso a uma alimentação adequada. O problema central não está na produção, mas na combinação de irresponsabilidade fiscal, infraestrutura deficiente, crédito restrito, carga tributária elevada e insegurança na produção.

Sugestões de curto prazo

Entre as ações de curto prazo sugeridas estão:

  1. Revisão da tributação sobre fertilizantes e defensivos agrícolas;
  2. Inclusão do óleo de soja na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec);
  3. Redução temporária do PIS/Cofins sobre insumos essenciais, como trigo e óleo vegetal, para baratear produtos como massas e pães;
  4. Revisão do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) para reduzir custos no transporte de insumos agropecuários;
  5. Redução dos requisitos de garantia real para operações de crédito;
  6. Reavaliação de impostos sobre embalagens essenciais, diminuindo o impacto no preço dos alimentos processados;
  7. Desburocratização alfandegária, integrando processos alfandegários e sanitários para agilizar a liberação de mercadorias;
  8. Ampliação do uso do Portal Único de Comércio Exterior (Siscomex) para integração entre processos alfandegários e sanitários e padronização dos procedimentos entre MAPA e Receita Federal, reduzindo tempos de liberação de mercadorias;
  9. Eliminação de barreiras regulatórias desnecessárias que dificultam a comercialização de produtos agropecuários.

Sugestões de médio e longo prazo

Para garantir uma redução sustentável nos preços dos alimentos, a FPA e as entidades do setor sugerem 11 medidas de médio e longo prazo:

  1. Redução do desperdício de alimentos, reavaliando normas de validade e incentivando programas de aproveitamento de produtos próprios para consumo;
  2. Plano Safra sem contingenciamentos, garantindo previsibilidade orçamentária e melhores condições de financiamento para os produtores;
  3. Facilitação do acesso ao crédito rural, eliminando barreiras regulatórias e adequando normas ambientais;
  4. Ampliação da subvenção ao seguro rural e do Proagro, oferecendo maior proteção financeira aos produtores contra perdas climáticas;
  5. Financiamento de longo prazo para a Cadeia de Frio, reduzindo desperdícios e estabilizando os preços de alimentos perecíveis;
  6. Expansão da malha ferroviária e hidroviária, diminuindo a dependência do transporte rodoviário e reduzindo custos logísticos;
  7. Recuperação de rodovias estratégicas e estradas vicinais, melhorando o escoamento da produção e reduzindo perdas logísticas;
  8. Ampliação da capacidade de armazenagem, minimizando oscilações de preços e protegendo os produtores nos períodos de colheita;
  9. Aplicação de medidas antidumping apenas em casos comprovados de concorrência desleal, evitando distorções na oferta e nos preços dos alimentos;
  10. Aumento da disponibilidade de farelo de milho e soja para reduzir o custo da ração animal, impactando positivamente a produção de proteínas;
  11. Incentivo à produção nacional de fertilizantes e bioinsumos, reduzindo a dependência de insumos importados e aumentando a competitividade do setor.

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