Setor registra resultado positivo de US$ 9,1 bilhões em janeiro e compensa déficit dos demais segmentos da economia
O agronegócio voltou a ser o principal responsável pelo equilíbrio das contas externas brasileiras no início de 2026. Mesmo com leve retração nas exportações, o setor garantiu o superávit da balança comercial do país em janeiro, compensando o desempenho negativo dos demais segmentos da economia. Os dados integram o Relatório de acompanhamento mensal do comércio exterior, elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) em conjunto com o Senar-SP e sindicatos rurais.
No período, o Brasil registrou saldo positivo de US$ 4,3 bilhões, forte alta em relação ao mesmo mês do ano anterior. O resultado foi impulsionado principalmente pela queda mais intensa das importações, enquanto as exportações totais apresentaram retração mais moderada.
O agronegócio respondeu sozinho por superávit de US$ 9,1 bilhões, consolidando-se como principal sustentação do comércio exterior. As vendas externas do setor somaram cerca de US$ 10,8 bilhões, com destaque para o avanço da carne bovina in natura, que cresceu mais de 40% e atingiu recorde histórico para janeiro. Também se sobressaíram as exportações de bovinos vivos e o desempenho do complexo soja, mesmo em período de entressafra.
Em sentido oposto, produtos tradicionais como café, suco de laranja e açúcar registraram retração, reflexo principalmente da redução do volume embarcado e de oscilações nos preços internacionais.
Em São Paulo, a balança comercial total apresentou déficit de US$ 2,2 bilhões, ampliado pela queda das exportações. Ainda assim, o agronegócio paulista manteve saldo positivo de US$ 1,3 bilhão, evidenciando novamente a relevância do setor na economia estadual.
No estado, o desempenho foi marcado pela retração das vendas do complexo sucroenergético e do setor citrícola, enquanto a celulose e as exportações de carne bovina registraram crescimento expressivo.
O cenário coincide com a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, que prevê eliminação gradual de tarifas para a maior parte dos produtos e tende a ampliar oportunidades comerciais para o agronegócio brasileiro nos próximos anos.




