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EUA dependem da carne do Brasil mesmo com tarifaço, avalia Datagro

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Consultoria  avalia que enquanto a estrutura exportadora brasileira tem elevada capacidade de redirecionamento das cargas para outros mercados, os EUA dependem mais da proteína brasileira.

 

A consultoria agrícola Datagro destaca que a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar as exportações brasileiras para o mercado americano deverá ter algum impacto sobre as vendas externas do Brasil de carne bovina. Isso, em grande parte devido à relevância dos EUA como segundo maior destino de cortes bovinos exportados pelo Brasil, com o equivalente a 12% do volume recorde embarcado no primeiro semestre deste ano. A medida está prevista para entrar em vigor no dia 01 de agosto.

Na análise sobre as consequências do tarifaço determinado por Trump, a Datagro ressalva que, enquanto os exportadores brasileiros possuem grandes vantagens comparativas em termos de capacidade de redirecionamento das cargas a outros mercados, os importadores norte-americanos podem estar diante de um reforço de aperto substancial na disponibilidade local da proteína.

 

Uma das indicações primárias dessa percepção é a própria representatividade da carne brasileira nas importações totais dos EUA, que triplicou entre 2021 e 2025, enquanto na ótica oposta, os americanos apresentaram avanço mais contido, ainda que significativo, nas exportações de carne bovina do Brasil em igual período. O impacto mútuo sobre a demanda e/ou fornecimento de ambos os países, ilustrado abaixo, consolida esse quadro como mais prejudicial aos americanos:

Novamente, é imprescindível ressaltar que deve haver algum choque negativo na demanda por carne bovina brasileira, que segundo a DATAGRO, deve ser próximo de 4% da produção nos níveis atuais, um impacto que inclusive já tem sido avaliado e precificado pelo mercado em alguma medida, à exemplo da queda nas cotações dos contratos futuros de Boi Gordo na B3 na sessão do dia 10/07 deste mês. Entretanto, quando avaliada a relevância dos cortes bovinos brasileiros importados pelos EUA para o abastecimento do mercado interno norte-americano, percebe-se que a dependência é maior que na ótica oposta, chegando a 5,4% da disponibilidade doméstica total, uma indicação valiosa de que a nova taxação pode pressionar ainda mais o quadro local de oferta de gado e carne bovina.  

Essa maior relevância proporcional da carne brasileira para o mercado estadunidense não se dá apenas em termos de volumes absolutos, como também em padrões dos cortes importados pelos americanos. O principal produto exportado aos EUA pelo Brasil são os chamados beef trimmings, que são pedaços de carne bovina restantes do processo de corte e limpeza das peças tradicionais, que na prática, são importados para serem moídos e combinados com a gordura em excesso produzida pelos animais que superam 26 arrobas (~ 390 Kg) de peso médio de carcaça no mercado norte-americano, para serem vendidos na forma de ground beef (carne moída).

O problema se dá na medida em que metade do consumo per capita de carne bovina da população dos EUA se apoia na carne moída, que no mercado doméstico local é beneficiada majoritariamente a partir de fêmeas bovinas de menor padrão de qualidade, um animal substancialmente escasso nas condições vigentes, portanto a tarifa atinge um dos pilares centrais de fornecimento de proteína bovina de base ao mercado norte-americano. Mesmo buscando outros fornecedores alternativos, não há nenhum player que se compara ao Brasil nem em termos de volume, muito menos em termos de preços.

Ainda que a nova medida praticamente inviabilize a exportação brasileira de carne bovina aos EUA, que agora passa a superar os preços atacadistas locais em ao menos 20%, seja por efeitos diretos ou indiretos, é possível que esse diferencial se estreite substancialmente. Ademais, diante da limitação na oferta global de carne bovina, mesmo buscando outros fornecedores além dos brasileiros, as mudanças possivelmente abrirão espaço para o Brasil em outros mercados, o que a longo prazo tende a ser um fator de sustentação altamente relevante às vendas externas brasileiras da proteína. 

 

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