Uma empresa do GRUPO PUBLIQUE

Estudo revela déficit de carbono e caminhos para recarbonização do solo

Compartilhe:

Animal em área de Integração Lavoura-Pecuária: menores perdas de carbono

Conversão de vegetação nativa gerou perda de 1,4 bilhão de toneladas de carbono, segundo pesquisa inédita

 

A conversão de áreas de vegetação nativa em lavouras e pastagens deixou uma marca profunda no solo brasileiro. Um estudo inédito aponta que esse processo resultou em um déficit de 1,4 bilhão de toneladas de carbono na camada superficial do solo, o equivalente a 5,2 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente. O levantamento, que analisou dados dos seis biomas do país, também indica que a adoção de práticas agropecuárias mais sustentáveis pode reverter parte dessas perdas.

A pesquisa foi publicada na revista Nature Communications e envolveu cientistas da Embrapa, da Esalq/USP, do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCarbon/USP) e da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Ao todo, foram sistematizados mais de 370 estudos e analisadas 4.290 amostras de solo coletadas em diferentes regiões do país.

Segundo os pesquisadores, esta é a primeira vez que se estima o estoque de carbono no solo brasileiro antes das intervenções humanas e se mensura, em escala nacional, o déficit provocado pelas mudanças de uso da terra. “Ao mesmo tempo em que quantifica o problema, a pesquisa aponta oportunidades de incremento de carbono com a mudança de práticas agropecuárias, iniciativas de políticas públicas ou ações privadas”, afirma Luis Gustavo Barioni, pesquisador da Embrapa.

Os resultados mostram que os biomas Cerrado e Mata Atlântica concentram cerca de 72% do potencial de recarbonização do solo no país. Sistemas produtivos mais intensificados e diversificados, como a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e o plantio direto, apresentaram menores perdas de carbono em comparação à monocultura e ao preparo convencional do solo.

De acordo com João Marcos Villela, primeiro autor do artigo, o estudo estabelece uma linha de base para orientar futuras ações. “Esse trabalho serve como ponto de referência para ações futuras”, destaca. Para os pesquisadores, os dados podem subsidiar políticas públicas, estratégias privadas e até o desenvolvimento do mercado de carbono, ao dimensionar o potencial brasileiro de recarbonização do solo.

Encontre na AgroRevenda