Produção agroindustrial oscila ao longo do ano e termina estável, com desempenho desigual entre alimentos, bebidas e não alimentícios
Depois de um ano marcado por avanços e recuos trimestrais, a agroindústria brasileira encerrou 2025 praticamente no mesmo patamar em que começou. O Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo FGV Agro com base na Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, registrou variação acumulada de –0,1% no ano.
O desempenho refletiu uma trajetória irregular: crescimento expressivo no primeiro trimestre (+2,3%), retração no segundo (–2,4%) e esforços de recuperação no segundo semestre, com variações de –0,3% e +0,3% no terceiro e quarto trimestres, respectivamente.
O ambiente macroeconômico influenciou o resultado. O setor operou sob juros elevados e incertezas externas — como o tarifaço norte-americano e a gripe aviária — enquanto o mercado interno seguiu aquecido, embora em desaceleração.
Entre os segmentos, Produtos Alimentícios avançaram 1,5% no acumulado do ano, sustentados principalmente pelo crescimento de 3,0% nos alimentos de origem animal, impulsionados por carnes, laticínios e pescados. Já os alimentos de origem vegetal recuaram 0,9%, pressionados por menor produção de arroz, café e refino de açúcar.
O setor de Bebidas acumulou queda de 2,6%, com destaque para a retração de 4,7% nas bebidas alcoólicas — pior desempenho desde 2003. Nos Produtos Não Alimentícios, a contração foi de 1,3%, puxada principalmente pelos Biocombustíveis (–18,6%), afetados por menor produtividade e qualidade da cana-de-açúcar, além de redução na moagem. Produtos Florestais também recuaram (–1,0%).
Em sentido oposto, Insumos Agropecuários cresceram 8,5%, com destaque para defensivos, tratores e intermediários para fertilizantes, enquanto o setor de Fumo avançou 8,6%. Para 2026, o relatório aponta perspectiva potencialmente mais favorável, diante do início da redução da taxa Selic e da manutenção do mercado de trabalho aquecido, embora riscos externos e o ambiente eleitoral sigam no radar.




