Regiões do Alto Paranaíba, Triângulo e Noroeste articulam legislação e ação conjunta para barrar a doença mais destrutiva da citricultura
A expansão silenciosa do greening — considerada a doença mais devastadora da citricultura mundial — acendeu um alerta estratégico em Minas Gerais. Em resposta, municípios do Alto Paranaíba, Triângulo e Noroeste iniciaram uma articulação inédita para conter o avanço da praga antes que ela comprometa a produção regional. A iniciativa, liderada por entidades públicas e privadas, estrutura o chamado Programa Cinturão Antigreening, voltado à criação de uma barreira sanitária preventiva.
A mobilização reúne Sebrae Minas, Sistema Faemg/Senar, associações municipais, cooperativas e lideranças locais, com o objetivo de alinhar políticas públicas, ampliar a vigilância no campo e padronizar medidas de controle. A estratégia inclui a aprovação de legislações municipais específicas, replicando modelos já adotados em cidades como Araxá e Sacramento.
Entre as ações previstas estão a proibição do plantio, comércio e transporte da murta (Murraya paniculata), planta hospedeira do inseto transmissor, além da erradicação de exemplares existentes e a implementação de fiscalização com sanções. A proposta também reforça a cooperação entre instituições para garantir respostas rápidas a possíveis focos da doença.
“O Cinturão Antigreening visa reduzir o risco nos municípios eliminando hospedeiros do mosquito psilídeo. A ideia é manter uma vigilância contínua no campo e garantir resposta rápida a qualquer suspeita preservando pomares, empregos e investimentos”, afirma o consultor Daniel Amorim.
O movimento ocorre em um momento de crescimento da citricultura mineira, que registrou alta de 16% na produção entre 2019 e 2023, segundo o IBGE, e já soma cerca de 40 mil hectares cultivados. O cenário ganha relevância diante da pressão do greening em São Paulo, principal polo produtor do país, o que pode impulsionar a migração da cultura para novas regiões.
Sem cura conhecida, a doença atinge o sistema vascular das plantas, reduzindo produtividade e qualidade dos frutos. O controle depende essencialmente de prevenção, monitoramento rigoroso e eliminação de plantas contaminadas. Nesse contexto, a criação de barreiras sanitárias surge como uma das principais apostas para proteger a expansão da citricultura mineira e evitar prejuízos já observados em outras regiões do Brasil e do mundo.
Greening: da Ásia ao Brasil
Origem e avanço mundial
- Primeiro registro: China, em 1919
- Expansão ao longo do século XX para África e Oceania
- Considerada hoje a doença mais destrutiva da citricultura mundial
Chegada às Américas
- Início do século XXI
- Detectada nos principais polos citrícolas:
- Estados Unidos (Flórida)
- Brasil (São Paulo)
Situação no Brasil
- Primeiro registro: Araraquara (SP), em 2004
- Presença já confirmada em mais de 100 municípios produtores
- Forte impacto sobre produtividade e qualidade dos frutos
Como a doença atua
- Causada pela bactéria Candidatus Liberibacter
- Transmitida pelo inseto psilídeo-asiático (Diaphorina citri)
- Ataca o floema das plantas, comprometendo o transporte de nutrientes
O maior desafio
- Não tem cura
- Controle depende de:
- Monitoramento constante
- Eliminação de plantas doentes
- Controle do vetor




