Criado há pouco menos de dois anos, projeto Smart B100 e integra milhares de estudos para orientar a utilização de insumos agrícolas
Prestes a completar dois anos, o Centro de Ciência para o Desenvolvimento Smart B100 (CCD SB100) já consolida uma base robusta de dados e tecnologia que conecta conhecimento científico à realidade da produção agrícola. A principal entrega até o momento é a validação de um protótipo funcional da Plataforma Smart B100, que integra informações de solo, clima e plantas para gerar recomendações técnicas baseadas em evidências.
Inicialmente direcionado às culturas de cana-de-açúcar e citros, o sistema utiliza inteligência artificial para interpretar variáveis complexas e oferecer suporte direto a técnicos e produtores.
Um dos pilares do projeto é a curadoria científica. Mais de nove mil estudos já foram analisados para estruturar uma base de dados confiável, capaz de identificar padrões, lacunas e critérios de qualidade nas pesquisas. Esse processo garante que as recomendações sejam sustentadas por evidências consistentes e atualizadas.
Na frente biotecnológica, os avanços também são relevantes. Estudos indicam que características genéticas das plantas influenciam diretamente a composição de microrganismos associados, impactando o desenvolvimento das culturas e sua resistência a estresses ambientais.
A iniciativa também desenvolveu uma base molecular integrada para cana e citros, conectando diferentes níveis de informação — do genético ao agronômico — e ampliando o potencial de recomendações mais precisas no campo.
Segundo o pesquisador responsável pelo centro, Dirceu Mattos Jr., a proposta vai além da aplicação do conhecimento já disponível. “A iniciativa busca não apenas aplicar o conhecimento existente, mas também gerar novas evidências científicas que contribuam para práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis”, afirma.
Com acesso previsto ao público a partir do segundo semestre de 2026, a plataforma representa um passo importante na digitalização do conhecimento agronômico, com potencial para alinhar produtividade, eficiência e sustentabilidade em larga escala.
O projeto é liderado pelo Instituto Agronômico (IAC), em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) — por meio da FCA, FAAC, FFC e IB —, com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/Esalq), as Fatecs de Pompeia e Cotia, além da Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.




