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Distribuidores ganham peso no financiamento do agro

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Empresas associadas à Andav estão em 1.041 municípios e ampliam atuação em crédito, serviços e tecnologia no campo

 

A distribuição de insumos agropecuários já responde por aproximadamente 20% do financiamento do agronegócio brasileiro, ampliando sua atuação para além da comercialização de defensivos, fertilizantes, sementes e outros produtos. Presentes em 1.041 municípios, as empresas associadas à Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) assumem participação crescente na concessão de crédito ao produtor e enfrentam o desafio de aprimorar a gestão de risco em um cenário de margens mais pressionadas no campo.

O papel financeiro das revendas esteve entre os temas debatidos no painel “Distribuidor: Acesso ao Mercado”, durante o 15º Congresso Andav, realizado em São Paulo. A discussão abordou a relação da distribuição com produtores e indústria, além da necessidade de ampliar a prestação de serviços e preparar as equipes para incorporar novas tecnologias.

Para Ricardo Bonacin, CEO da Núcleo Agrícola, a mudança já alterou a própria dinâmica do negócio. “A concessão de crédito hoje se tornou um pilar tão importante quanto o comercial”, afirmou.

A ampliação dessa participação também aumenta a necessidade de conhecer melhor o perfil e a capacidade financeira dos clientes. Segundo Aldair Santos, CEO da Precisão Rural, as decisões sobre crédito precisam considerar informação, proximidade com o produtor e análise compartilhada.

Estande da Andav no congresso: debates e networking movimentam o setor

O crescimento do crédito concedido pela distribuição traz ainda desafios jurídicos. Paulo Lima, sócio-diretor da RUMO.Agro, chamou atenção para a necessidade de aprimorar os processos internos utilizados na concessão dos recursos e buscar garantias mais efetivas para as operações.

Ao mesmo tempo em que as revendas assumem maior responsabilidade no financiamento da produção, mudanças no mercado internacional deverão exigir novas estratégias de produtores, distribuidores e indústria. Em palestra no congresso, Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, avaliou que a China alcançou elevada autossuficiência em arroz, trigo e suínos, mas enfrenta limitações de área e água para avançar principalmente na produção de soja.

Nos últimos 25 anos, as exportações brasileiras de soja para o mercado chinês cresceram, em média, 9% ao ano. Cogo considera que esse ritmo dificilmente será mantido, mas também avalia como pouco provável que a China consiga alcançar autossuficiência na oleaginosa.

Para o especialista, um dos caminhos para o Brasil será avançar na agregação de valor, especialmente diante de margens mais apertadas para o produtor. “Daqui para frente, a agenda será a agregação de valor, com a soja sendo exportada também via biodiesel, carnes, outras proteínas, e assim por diante”, afirmou.

As discussões mostram uma distribuição de insumos submetida a uma transformação mais ampla. Além de levar produtos e tecnologias ao produtor, as empresas passam a incorporar financiamento, análise de risco e prestação de serviços a suas estratégias, ao mesmo tempo em que precisam acompanhar mudanças nos mercados agrícolas e nas formas de geração de valor ao longo da cadeia.

O segundo dia do congresso também teve a entrega do Prêmio Andav de Reconhecimento – Personalidades do Agro, concedido a oito profissionais pela contribuição ao desenvolvimento da distribuição de insumos: Marcos Rodrigues Chaves, Salvino Antonio Camarotti, Roberta Motta, Marco Antonio Nasser de Carvalho, Antonio Henrique Botelho Lima, Alberto Yoshida, Oswaldo Abud Rocha Filho e José Yochikatu Hara.

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