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Custos recuam e leite registra nova valorização no campo

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Setor observa combinação positiva entre preços, exportações e redução das despesas de produção

 

O preço do leite pago ao produtor voltou a subir em abril e registrou a quarta alta consecutiva de 2026. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) Esalq/USP mostra que a chamada “Média Brasil” alcançou R$ 2,6584 por litro, avanço de 10,4% em relação ao mês anterior. O movimento foi impulsionado principalmente pela redução da oferta de matéria-prima e pelo aumento da concorrência entre laticínios na captação de leite cru.

A valorização ocorre em um momento de mudanças importantes para a cadeia láctea. Além da recuperação dos preços pagos ao produtor, o setor passou a conviver com custos mais baixos de produção, estabilidade dos principais derivados comercializados no atacado e crescimento das exportações. O conjunto desses fatores contribui para melhorar as perspectivas da atividade em um período tradicionalmente marcado por menor disponibilidade de leite.

Apesar da sequência de altas, a remuneração ao produtor ainda permanece abaixo da observada no mesmo período do ano passado. Em termos reais, considerando os valores corrigidos pelo IPCA de abril de 2026, o preço médio ficou 7,1% inferior ao registrado em abril de 2025. Ainda assim, o movimento recente sinaliza uma recuperação gradual das cotações ao longo do primeiro semestre.

No mercado de derivados, o comportamento foi mais equilibrado. Pesquisa realizada pelo Cepea com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) apontou estabilidade nos preços da muçarela e do leite em pó negociados no atacado paulista durante maio. As variações foram discretas, de 0,12% e 0,13%, respectivamente, mantendo os produtos em patamares considerados firmes para o período.

Já o leite UHT apresentou comportamento distinto e registrou recuo de preços ao longo do mês, refletindo ajustes na dinâmica de oferta e demanda do segmento. O movimento evidencia que os diferentes elos da cadeia seguem respondendo de maneira própria às condições de mercado.

Outro destaque do levantamento foi o desempenho do comércio exterior. Tanto as importações quanto as exportações de lácteos cresceram em maio, mas os embarques apresentaram avanço proporcionalmente mais expressivo. Enquanto as compras externas aumentaram 3,58%, alcançando 226,21 milhões de litros equivalentes de leite, as exportações avançaram 45,33%, totalizando 5,81 milhões de litros equivalentes.

A melhora do cenário foi reforçada pela primeira redução dos custos de produção em 2026. O Custo Operacional Efetivo (COE) caiu 1,39% em maio na Média Brasil, interrompendo uma sequência de aumentos observada desde o início do ano. O resultado foi influenciado principalmente pela redução dos gastos com nutrição animal e operações mecanizadas.

Embora o COE ainda acumule alta de 1,8% no ano, a combinação entre preços mais elevados ao produtor e custos em retração tende a melhorar as margens da atividade. Para a cadeia leiteira, o cenário atual indica um momento de maior equilíbrio entre oferta, demanda e rentabilidade, ainda que o mercado continue atento aos efeitos da sazonalidade e às movimentações do comércio internacional.

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