Sistema Campo Limpo amplia capilaridade, bate recorde de destinação de embalagens e reforça o papel do cooperativismo
As cooperativas agropecuárias têm assumido um papel cada vez mais estratégico na consolidação da logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas no Brasil. Muito além da comercialização de insumos, essas organizações passaram a atuar como elo entre produtores rurais e o Sistema Campo Limpo, ampliando o alcance da destinação ambientalmente correta das embalagens pós-consumo e fortalecendo um dos mais reconhecidos programas de economia circular do agronegócio mundial.
Os resultados mais recentes confirmam essa evolução. Em 2025, o Sistema Campo Limpo destinou corretamente 75.996 toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas, volume 11% superior ao registrado no ano anterior. Desse total, 92% seguiram para reciclagem, dando origem a mais de 30 tipos de produtos homologados. A expansão da rede de cooperativas, associações e revendas foi apontada como um dos principais fatores para esse desempenho.
Segundo Marcelo Okamura, diretor-presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), o cooperativismo ocupa posição central nesse modelo de responsabilidade compartilhada. “O cooperativismo representa um elo essencial dentro do Sistema Campo Limpo. A proximidade das cooperativas com os agricultores fortalece a orientação técnica, amplia o acesso às unidades de recebimento e torna a responsabilidade compartilhada uma realidade em todo o país. Os resultados alcançados mostram que a sustentabilidade no campo depende da atuação coordenada de todos os participantes da cadeia”, afirma.
Atualmente, o Sistema Campo Limpo está presente em 25 estados e no Distrito Federal, com 424 unidades de recebimento. Além da estrutura fixa, o programa vem ampliando os Recebimentos Itinerantes, iniciativa voltada principalmente aos pequenos produtores. Em 2025, foram realizadas 4.795 operações desse tipo, crescimento de 20% em relação ao ano anterior.
Na prática, cooperativas e associações administram unidades de recebimento, orientam os agricultores sobre a tríplice lavagem, inutilização das embalagens e procedimentos para devolução, além de promover ações de educação ambiental e ampliar a capilaridade do sistema em regiões mais distantes dos grandes centros.
Para Edenilson Carlos de Oliveira, diretor de Logística e Operações da Coamo, o avanço do programa está diretamente ligado ao trabalho realizado junto aos produtores. “É importante destacar que esse resultado é fruto de uma evolução ao longo do tempo, especialmente na conscientização dos produtores rurais. Houve um trabalho muito forte de educação e orientação, desde o início, sobre a importância da tríplice lavagem, da inutilização correta e da devolução ambientalmente adequada das embalagens. Nesse contexto, as cooperativas têm um papel fundamental, porque estão diretamente no campo, próximas dos produtores. Elas são responsáveis por orientar, disseminar boas práticas e garantir que as informações cheguem de forma clara. Essa proximidade faz com que o Sistema funcione de maneira organizada e eficiente.”
Desde o início de sua operação, em 2002, o Sistema Campo Limpo já destinou corretamente mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas. Apenas em 2025, além do crescimento no volume processado, o programa reduziu em 5% seu gasto operacional por quilo destinado, demonstrando que expansão da escala, eficiência logística e sustentabilidade podem avançar de forma integrada quando indústria, distribuição, cooperativas, produtores e poder público atuam de maneira coordenada.




