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Com 60% do comércio mundial, soja brasileira ganha força em cenário de ajuste global

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Redução de área nos EUA e queda de estoques elevam expectativa para exportações em 2026. O câmbio permanece como variável decisiva par ao mercado

 

O mercado brasileiro da soja iniciou 2026 sob perspectiva de liderança ampliada no comércio internacional. A combinação entre safra recorde no Brasil e redução da oferta nos Estados Unidos e na Argentina tende a reforçar o papel do país como principal fornecedor global da oleaginosa.

Estimativas iniciais apontam que o Brasil poderá responder por cerca de 60% da demanda mundial. Enquanto a área global deve recuar 1,9% na temporada 2025/26, a produção brasileira é projetada em até 178 milhões de toneladas, segundo o USDA — o equivalente a 41,8% da oferta mundial. A Conab trabalha com estimativa próxima, de 176,12 milhões de toneladas.

No mercado externo, os contratos negociados na Bolsa de Chicago (CME Group) para 2026 oscilam entre US$ 10,80 e US$ 11,20 por bushel, acima da média de 2025. Nos portos brasileiros, os preços FOB em Paranaguá variam entre US$ 24,00 e US$ 25,50 por saca de 60 kg para embarques no primeiro semestre, também superiores aos registrados no mesmo período do ano anterior.

Apesar do acordo comercial entre China e Estados Unidos, que prevê maior compra de soja norte-americana até 2028, a expectativa é de que a demanda chinesa por soja brasileira permaneça elevada, sustentando prêmios de exportação.

No mercado doméstico, a rentabilidade tende a melhorar em importantes regiões produtoras. A relação receita/custo pode crescer 31,9% em Rio Verde (GO), 26% em Cascavel (PR) e 17,6% em Sorriso (MT), embora as margens no Rio Grande do Sul ainda possam permanecer negativas.

O câmbio segue como variável decisiva. A recente redução da taxa básica de juros nos Estados Unidos — agora entre 3,5% e 3,75% ao ano — pode pressionar o dólar e influenciar a formação de preços internos.

Entre os derivados, o processamento global deve alcançar recorde de 366,43 milhões de toneladas. No Brasil, o esmagamento pode atingir 59 milhões de toneladas, com exportações de farelo estimadas em 24,7 milhões de toneladas. O consumo doméstico de óleo segue elevado, impulsionado pelo biodiesel, enquanto os estoques globais apresentam recuo e a relação estoque/processamento cai ao menor nível desde 2022/23.

 

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