Mariangela Hungria está na TIME100 Climate 2025 por suas contribuições à agricultura de baixo carbono e inovação em biofertilizantes.
A pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja (Londrina, PR), foi incluída na lista TIME100 Climate 2025, publicada pela revista norte-americana TIME, que reconhece as 100 personalidades mais influentes do mundo em ações voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas. A cientista integra a categoria Defenders (“Defensoras”), dedicada a quem atua na defesa de comunidades e práticas sustentáveis.
Com mais de quatro décadas de trajetória científica, Mariangela é referência global em microbiologia do solo e uso de bioinsumos agrícolas. Suas pesquisas ajudaram a consolidar o Brasil como líder na substituição de fertilizantes químicos por microrganismos capazes de fixar nitrogênio, solubilizar fósforo e estimular o crescimento vegetal. “Trabalhar com produção de alimentos de forma sustentável e em harmonia com o planeta é um privilégio”, declarou a pesquisadora.
Entre as inovações mais importantes desenvolvidas por sua equipe estão as tecnologias de inoculação e coinoculação da soja com as bactérias Bradyrhizobium e Azospirillum brasilense. Essas práticas, hoje adotadas em 85% das lavouras brasileiras, permitem dispensar o uso de fertilizantes nitrogenados e aumentar a produtividade em até 8% por safra. Em 2024, a economia resultante do uso desses microrganismos foi estimada em US$ 25 bilhões, com a redução de 230 milhões de toneladas de CO₂ emitidas para a atmosfera.
A cientista também foi responsável por introduzir tecnologias semelhantes em feijão, milho, trigo e pastagens, adaptando o conceito da fixação biológica de nitrogênio a diferentes culturas. Em 2021, lançou uma técnica que reduz em 25% a necessidade de adubação nitrogenada no milho, com benefícios econômicos diretos e menor impacto ambiental.
Nascida em São Paulo e criada em Itapetininga (SP), Mariangela formou-se em Agronomia pela Esalq/USP, com mestrado e doutorado em Ciência do Solo. Desde 1982, atua como pesquisadora da Embrapa, com passagens pela Embrapa Agrobiologia (RJ) e pela Embrapa Soja, além de estágios de pós-doutorado nas universidades de Cornell, Califórnia-Davis e Sevilha.
Sua produção científica ultrapassa 500 publicações entre artigos, livros e documentos técnicos, e mais de 200 orientações acadêmicas. Mariangela é membro da Academia Brasileira de Ciências, comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico e professora na Universidade Estadual de Londrina. Desde 2020, figura entre os 100 mil cientistas mais influentes do mundo, segundo a Universidade Stanford (EUA).
Em 2025, além do reconhecimento da TIME, a pesquisadora recebeu o Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize) — considerado o “Nobel da Agricultura” — e o Prêmio Mulheres e Ciência, concedido pelo CNPq em parceria com o British Council.
Com seu nome agora entre os líderes globais da sustentabilidade, Mariangela representará a Embrapa na GreenZone da COP30, em Belém (PA), onde pretende reforçar a mensagem de que biotecnologia e ciência tropical são aliadas essenciais da agricultura de baixo carbono.




