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Cepea alerta para dependência externa na expansão dos bioinsumos

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Análise indica que tecnologias biológicas ganham espaço diante de custos, regulação e riscos geopolíticos dos insumos sintéticos

 

O avanço dos bioinsumos no Brasil ocorre em ritmo acelerado, mas ainda convive com uma dependência estrutural significativa de insumos importados, que expõe a agricultura nacional a riscos econômicos e geopolíticos. A avaliação integra estudo recente do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), que analisa a transformação do mercado e seus impactos estratégicos para o setor produtivo.

Segundo o levantamento, o país construiu uma das maiores plataformas agrícolas do mundo — com produção agropecuária superior a 1,2 bilhão de toneladas por safra —, mas mantém elevada vulnerabilidade externa: cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no campo são importados, assim como grande parte dos agroquímicos.

Nesse contexto, os bioinsumos emergem como alternativa relevante para reduzir a dependência tecnológica e diversificar o manejo agrícola. O mercado brasileiro faturou R$ 4,35 bilhões na safra 2024/25, crescimento de 18% em relação ao ciclo anterior, com taxa média anual de expansão de 22% nos últimos três anos — ritmo quatro vezes superior à média global.

A área potencial tratada com produtos biológicos alcançou 156 milhões de hectares, enquanto a taxa de adoção chegou a 26% da área agrícola nacional, indicando avanço consistente, embora ainda distante de substituir integralmente insumos sintéticos.

O estudo destaca que a expansão reflete fatores econômicos e regulatórios, como aumento do custo dos defensivos importados, resistência de pragas a moléculas convencionais e maior rigor regulatório sobre químicos. Ao mesmo tempo, limitações como estabilidade das formulações, padronização e comprovação de eficácia ainda representam desafios para a consolidação do setor.

Para os pesquisadores, os bioinsumos já deixaram de ser apenas promessa tecnológica e passaram a integrar a política econômica de insumos agrícolas, com impactos diretos sobre custos de produção, segurança alimentar e autonomia estratégica do país.

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