Brasil amplia presença global em proteínas animais, com forte demanda asiática e resiliência logística mesmo diante de tensões no Oriente Médio
O desempenho das exportações brasileiras de proteínas animais voltou a surpreender no início de 2026, com resultados que combinam recordes históricos e resiliência diante de um cenário internacional instável. Enquanto a carne suína atingiu o maior volume já registrado para um mês de março, a carne de frango manteve trajetória de crescimento mesmo sob impactos logísticos provocados por conflitos no Oriente Médio.
No caso da suinocultura, o país embarcou 153,8 mil toneladas em março, avanço expressivo de 32,2% na comparação anual. A receita também atingiu patamar recorde, somando US$ 361,6 milhões, com alta de 30,1%. No acumulado do trimestre, os embarques chegaram a 392,2 mil toneladas, consolidando um ritmo consistente de expansão. O avanço tem sido impulsionado, sobretudo, pela demanda de mercados asiáticos e sul-americanos. Filipinas, Japão e China seguem entre os principais destinos, com destaque para crescimentos significativos nos volumes adquiridos por países asiáticos.
“A demanda global por carne suína do Brasil segue elevada, em especial, em mercados como Filipinas, Japão e outros países da Ásia e da América do Sul. O comportamento das exportações neste início de ano deve persistir ao longo dos próximos meses, confirmando a projeção de alta para os embarques de 2026”, afirma Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Já no segmento de carne de frango, os embarques somaram 504,3 mil toneladas em março, alta de 6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A receita alcançou US$ 944,7 milhões, também recorde para o período. No trimestre, o volume exportado ultrapassou 1,45 milhão de toneladas.
Mesmo com a instabilidade no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz, o fluxo comercial se manteve ativo, ainda que com ajustes. Houve retração pontual nos embarques para a região, mas o setor conseguiu redirecionar parte das cargas e manter o abastecimento.
“Apesar da queda comparativa registrada no Oriente Médio, os expressivos volumes comprovam que o fluxo de exportações segue acessando a região por meio das rotas alternativas”, analisa Santin. Com demanda aquecida em mercados estratégicos e capacidade de adaptação logística, o Brasil reforça sua posição como fornecedor global relevante de proteínas, em um contexto cada vez mais influenciado por fatores geopolíticos.




