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Caneta emagrecedora pode turbinar consumo de carne

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Mudança na dieta de pacientes eleva demanda por proteína animal e pressiona pecuária a produzir mais com menos emissões

 

O avanço dos medicamentos injetáveis para perda de peso — popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” — começa a provocar reflexos além do setor farmacêutico. A expansão desse tipo de tratamento já influencia os hábitos alimentares e pode elevar a demanda global por proteína, especialmente de origem animal.

A mudança ocorre porque pacientes em tratamento costumam ser orientados por médicos e nutricionistas a aumentar o consumo de proteínas para preservar massa muscular durante o processo de emagrecimento. Esse ajuste na dieta tem potencial para ampliar a procura por carnes e produtos proteicos de maior valor agregado.

No Brasil, o impacto econômico desse mercado já chama atenção. Segundo relatório do Itaú BBA, os medicamentos para emagrecimento movimentaram cerca de R$ 10 bilhões no país em 2025, o equivalente a aproximadamente 4% do varejo farmacêutico nacional.

Os primeiros reflexos já aparecem no comportamento do consumidor. Dados da Worldpanel by Numerator (Kantar) indicam que o consumo de carne bovina cresceu 9% no primeiro trimestre de 2025, contrariando previsões de retração mesmo diante da alta dos preços. A proteína alcançou 93% de penetração nos lares brasileiros, avanço de 5,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para o setor pecuário, o cenário representa ao mesmo tempo oportunidade e desafio: atender a uma demanda crescente por proteína mantendo eficiência produtiva e reduzindo o impacto ambiental da atividade.

Pressão por produção mais sustentável

Um dos principais pontos de atenção envolve as emissões de metano (CH₄) geradas no processo digestivo dos bovinos, frequentemente citadas nos debates globais sobre mudanças climáticas.

Segundo Renata Fernandes Theuer, gerente de sustentabilidade para animais de produção da Elanco Brasil, o setor precisa avançar simultaneamente em produtividade e responsabilidade ambiental. “O crescimento da demanda por proteína é uma realidade, impulsionada por mudanças claras no comportamento do consumidor. O desafio não é produzir mais a qualquer custo, mas produzir melhor, com eficiência e menor impacto ambiental”, afirma.

Entre as soluções em desenvolvimento estão aditivos alimentares voltados à melhoria da eficiência produtiva do rebanho. Um exemplo é o Zimprova™, produto destinado a bovinos de corte que, além de melhorar o desempenho produtivo, recebeu aprovação do Ministério da Agricultura para incluir a redução das emissões de metano na bula.

Estudos conduzidos pela empresa em parceria com a Esalq/USP indicam que o princípio ativo do produto, a narasina, pode reduzir as emissões de metano entre 10,6% e 34%, dependendo da dosagem. As pesquisas também apontam ganhos produtivos, com até 1,1 arroba adicional por animal ao ano quando o aditivo é associado a pastagens de qualidade.

Para especialistas do setor, a tendência é que a combinação entre crescimento da demanda por proteína e pressão por sustentabilidade acelere a adoção de tecnologias que tornem a pecuária mais eficiente e competitiva no mercado global.

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