Estudo apresentado na Fruit Attraction São Paulo aponta crescimento acima da média mundial e reforça potencial exportador brasileiro
O mapa global das exportações de frutas deve passar por uma mudança relevante nos próximos anos, com a América do Sul assumindo protagonismo em um mercado em expansão. A projeção, baseada em dados da FAO/ONU, foi destacada durante a Fruit Attraction São Paulo e aponta que a região tende a superar a América Central e o Caribe como principal fornecedora mundial.
Segundo o sócio da Markestrat Agribusiness, Vinícius Cambaúva, a tendência analisa as principais culturas. “Esta projeção da FAO/ONU considera os embarques de abacaxi, abacate, goiaba, mamão e manga”, afirmou Cambaúva.
As estimativas indicam que o mercado global de frutas deve crescer de US$ 12,8 bilhões para US$ 15,7 bilhões até 2034. Nesse cenário, a América do Sul deve registrar taxa média anual de expansão de 5,3%, acima dos 4,8% projetados para a América Central e Caribe, consolidando a liderança ao final do período.
Apesar de figurar como o terceiro maior produtor mundial, o Brasil ainda ocupa posições intermediárias entre os exportadores. Em 2025, o país registrou receita de US$ 1,45 bilhão com vendas externas, alta de 12%, puxada por itens como manga, melão, limões, limas e melancia.
O tema ganhou destaque na Fruit Attraction São Paulo, evento que se consolida como plataforma de negócios do setor no hemisfério Sul. A expectativa para esta edição é ampliar os resultados comerciais. “Acreditamos que as vendas realizadas na feira devem somar entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão”, afirmou Maurício Macedo, CEO da Fiera Milano Brasil.
Com participação crescente de empresas e países, a feira reforça o papel do Brasil como elo estratégico entre produção e mercado internacional de frutas.
As frutas que sustentam as exportações brasileiras
Mesmo ainda distante das primeiras posições globais em exportação, o Brasil vem ampliando sua presença internacional com um portfólio concentrado em frutas tropicais e cítricas, que combinam competitividade produtiva e demanda crescente no exterior.
A manga lidera a pauta exportadora, com forte presença nos mercados europeu e norte-americano, sustentada por qualidade e regularidade de oferta. Em seguida, o melão se destaca especialmente nas regiões Nordeste, com produção voltada quase integralmente ao mercado externo.
Os limões e limas ganham espaço pela versatilidade e pelo aumento do consumo global, enquanto a melancia completa o grupo das principais frutas exportadas, com crescimento consistente nos últimos anos.
Esse conjunto de produtos mostra que o Brasil já possui base competitiva consolidada, mas ainda enfrenta desafios logísticos, sanitários e comerciais para avançar em escala e diversificação. O potencial, no entanto, é claro: com ajustes estruturais, o país pode transformar sua força produtiva em protagonismo também no comércio global.




