Encontro híbrido reuniu o setor para avaliar o desenvolvimento das lavouras, os custos de produção e as perspectivas de mercado.
A Câmara Setorial do Trigo do Estado de São Paulo realizou nesta quinta-feira, 30 de julho, uma reunião para discutir o cenário da cultura no estado. O encontro foi realizado na matriz da Ouro Safra, em Pilar do Sul (SP), teve
transmissão on-line pelo canal do Sindustrigo e reuniu representantes da cadeia produtiva para a atualização das informações sobre a safra paulista, incluindo área plantada, expectativa de produtividade e avaliação do desenvolvimento das lavouras.
A programação contemplou temas estratégicos para o setor, com análises de mercado, crédito e produção. O panorama do mercado de trigo na conjuntura nacional e internacional, que foi apresentado por Douglas Araujo, da CJ International. A apresentação sobre linhas de crédito, com a Desenvolve SP. Um diagnóstico dos produtores paulistas, conduzido por Felipe Camargo, do Instituto
de Economia Agrícola (IEA). Relatos de cooperativas e cerealistas sobre a evolução da safra e as expectativas de produção e produtividade.
O presidente da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, Ruy Zanardi, afirmou que o encontro foi estratégico para consolidar dados mais precisos sobre a safra. “A expectativa foi ratificar a área plantada no estado, entender a produtividade por hectare e identificar os principais materiais genéticos e manejos utilizados. Também tivemos uma visão mais clara sobre o estágio de desenvolvimento da cultura nos campos de São Paulo”, afirmou.
Entre os principais desafios do ciclo atual, o presidente destacou o aumento dos custos de produção, especialmente
com combustíveis e fertilizantes, além do cenário internacional menos favorável. “Os preços globais do trigo estão abaixo dos anos anteriores, o que impacta diretamente a rentabilidade do produtor”, explicou. Outro ponto de atenção foi a possível influência do fenômeno El Niño, que pode trazer condições climáticas adversas para a cultura.
A reunião de meio de ano é considerada um momento-chave para o setor, pois permite uma leitura mais fiel do desempenho da safra paulista. “Essas informações são essenciais, sobretudo para a indústria moageira do estado. Com base nesses dados,
as indústrias conseguem planejar suas estratégias de abastecimento de matéria-prima para a safra 2026 | 2027”, ressaltou o presidente.
No cenário de mercado, a pressão sobre produtores e indústria segue atrelada às dinâmicas globais das commodities. Segundo Zanardi, os preços internacionais influenciam diretamente as decisões de plantio. “Diante de valores mais baixos, o produtor pode buscar culturas
mais rentáveis, o que pode resultar em redução da área de trigo. Ao mesmo tempo, o risco climático reforça a necessidade de estratégias para mitigar perdas”, avaliou. Apesar das incertezas, o dirigente ressaltou que as projeções ainda dependem da evolução da safra. “As previsões são importantes, mas os resultados só se consolidam após a colheita”, concluiu.





