O último dia do Agroleite 2026 foi marcado pelo debate sobre os caminhos da economia e os desafios para o desenvolvimento do Brasil. Realizado nesta sexta-feira, dia 7, o Fórum da Agricultura reuniu especialistas para discutir o cenário macroeconômico, as perspectivas para o país e o papel estratégico do agronegócio brasileiro. A programação contou com as palestras “Brasil: dilemas e perspectivas”, apresentada por Fernando Schüler, professor do Insper e especialista em políticas públicas e “Macroeconomia e os impactos do agronegócio brasileiro”, ministrada por Maurício Une, economista-chefe do Rabobank para a América do Sul.
Na primeira palestra do Fórum, Fernando Schüler apresentou uma análise sobre os contrastes e os potenciais do Brasil. Para o professor, apesar dos desafios estruturais enfrentados pelo país, existe setores que demonstram capacidade de competir em nível internacional, entre eles o agronegócio. O especialista destacou o desempenho brasileiro em segmentos como carnes e soja e chamou atenção para a produtividade alcançada pela cadeia leiteira na região de Castro. Segundo ele, enquanto a média nacional de produção de leite é de aproximadamente seis litros por animal ao dia, propriedades da região alcançam índices próximos de 40 litros. “O Brasil é um país de contrastes. É possível ser otimista, dependendo do setor. Olhando para o futuro, acho que o Brasil tem um enorme potencial. Na área do agronegócio, temos muita terra, água, mercados para conquistar e muito espaço para crescer em produtividade”, destaca.
O professor também elencou o Agroleite como exemplo da capacidade de organização, inovação e geração de produtividade do setor privado brasileiro. Para Schüler, a estrutura do evento demonstra a força da tecnologia e do modelo cooperativo na construção de um agronegócio mais competitivo. “Aqui você tem um showroom de empresas, um showroom de tecnologia. Isso mostra exatamente um Brasil focado em produtividade, feito pelo setor privado e, na minha visão, do melhor jeito, que é o modelo cooperativo”, explica.
Na segunda palestra, ao abordar o cenário macroeconômico, Maurício Une destacou a relevância do agronegócio para a economia brasileira, especialmente pela contribuição do setor para o equilíbrio da balança comercial e para a entrada de dólares no país. “O agronegócio é o setor mais produtivo da economia brasileira. Sem o agro, o Brasil estaria em uma situação muito difícil, inclusive com relação ao fluxo de dólares. O agro brasileiro é responsável pelo superávit da balança comercial, e isso traz uma tranquilidade bastante grande para o restante do país”, explica.
Para o economista, eventos como o Agroleite são importantes por promoverem a troca de conhecimento entre os diferentes elos da cadeia produtiva. O momento também permite discutir os fatores que podem influenciar o desempenho do setor nos próximos anos, como o cenário político e econômico, as questões geopolíticas e os desafios climáticos.
Com discussões que conectaram economia, política pública, produtividade, tecnologia e os desafios do agronegócio, o Fórum da Agricultura encerrou a programação técnica do Agroleite 2026.





