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Agro oscila em março sob pressão global e custos

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Açúcar, boi, café, milho, soja e frango registram movimentos distintos, com impacto de oferta, energia e tensões geopolíticas

 

O desempenho dos principais produtos agropecuários em março reforça uma mudança relevante na dinâmica de preços no Brasil: o campo está cada vez mais sensível a fatores externos, especialmente energia, logística e tensões geopolíticas. Levantamento do Cepea com seis cadeias estratégicas — açúcar, boi, café, milho, soja e frango — mostra um cenário heterogêneo, com altas expressivas em alguns segmentos e ajustes importantes em outros.

No açúcar, o mês marcou uma reversão parcial da tendência de queda. O Indicador CEPEA/ESALQ saiu de cerca de R$ 98,00/saca no início do mês para R$ 105,46/sc no fechamento, acumulando alta de 6,97% no período. Ainda assim, a média mensal ficou em R$ 99,78/sc, queda de 0,86% frente a fevereiro e de 28,56% na comparação anual, evidenciando que a recuperação ainda ocorre sobre uma base fragilizada.

Na pecuária bovina, o movimento foi de força consistente. O Indicador do boi gordo CEPEA/ESALQ atingiu média de R$ 350,18/@ em março, ante R$ 342,25 em fevereiro, com a arroba chegando a R$ 356,00 no fim do mês — o maior valor nominal da série histórica. A sustentação veio da combinação entre oferta restrita e demanda externa aquecida, além de escalas de abate curtas, entre cinco e oito dias.

O café apresentou comportamento dividido entre as variedades. O arábica registrou média de R$ 1.913,89/saca, alta de 2,5% no mês, impulsionado por restrições de oferta e impactos geopolíticos. Já o robusta caiu para R$ 1.021,92/sc, recuo de 4%, pressionado pela maior disponibilidade e pela proximidade da colheita. O diferencial entre as variedades chegou a R$ 891,98 por saca, reforçando a disparidade entre os mercados.

No milho, os preços avançaram mesmo com a colheita em andamento. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas) atingiu média de R$ 70,90/sc, alta de 4,5% frente a fevereiro e a maior desde maio de 2025. A valorização ocorreu em meio à restrição de vendedores e ao aumento da demanda por recomposição de estoques, além da pressão logística causada pela alta dos combustíveis.

O complexo soja foi influenciado diretamente pelo mercado de energia. O óleo de soja registrou forte valorização internacional, com alta de 14,1% no mês e 55,1% no ano, atingindo US$ 0,6588/libra-peso. No mercado interno, o preço chegou a R$ 6.695,10/tonelada, avanço de 3,6%. Esse movimento sustentou o grão, cujos indicadores ficaram em R$ 122,44/sc no Paraná, com alta mensal de até 2,4% em Paranaguá.

Já o frango iniciou o trimestre sob forte pressão. O frango vivo teve média de R$ 4,47/kg em março, com queda de 10,7% no mês e de 18,8% no ano. No entanto, o mercado reagiu nos últimos dias do mês, com altas de até 6,4% no atacado, impulsionadas pelo repasse de custos logísticos e energéticos à cadeia.

O conjunto dos dados revela um agro em transição, no qual os preços deixam de ser determinados apenas por oferta e demanda interna e passam a responder de forma mais imediata a fatores externos. Energia, câmbio, logística e geopolítica passam a compor, de forma definitiva, a equação de formação de preços — ampliando tanto os riscos quanto as oportunidades para produtores e indústrias.

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