Volume embarcado cresce, China amplia liderança nas compras e carnes, soja e celulose impulsionam resultado do comércio exterior do agronegócio
O agronegócio brasileiro voltou a mostrar sua força no comércio global. Em 2025, o setor atingiu novo recorde nas exportações, com faturamento superior a US$ 169 bilhões, avanço de 3% em relação a 2024, segundo levantamento do Cepea – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, um braço de pesquisas da ESALQ/USP.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento do volume embarcado, que cresceu 3,4% no ano, enquanto os preços médios em dólar registraram leve recuo de 0,4%. Mesmo assim, o crescimento da produção agropecuária e a demanda internacional permitiram ao Brasil ampliar sua presença no comércio global de alimentos.
O resultado reflete também a forte expansão da produção agrícola. A safra brasileira de grãos 2024/25 alcançou cerca de 350 milhões de toneladas, alta de 16% em relação ao ciclo anterior, ampliando a oferta exportável do país.
Entre os produtos que mais avançaram nas vendas externas, destacam-se a carne bovina in natura (+21%), a carne suína (+12,5%), a celulose (+13%), a soja em grão (+9,5%), o algodão (+9%) e o milho (+3%).
As proteínas animais tiveram um dos desempenhos mais expressivos. Somadas, as exportações de carne bovina, suína e de frango ultrapassaram US$ 31 bilhões, crescimento de 21,5% frente a 2024.
No caso da carne bovina, o aumento foi impulsionado tanto pelo volume quanto pelos preços internacionais, elevando o faturamento do setor em 42% no ano.
China reforça liderança
A China segue como o principal destino do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu por cerca de um terço das exportações do setor em 2025 e absorveu quase 80% das vendas brasileiras de soja em grão.
Além da oleaginosa, os chineses foram grandes compradores de carne bovina, celulose, algodão e açúcar, consolidando a posição estratégica do mercado asiático para o Brasil.
Na sequência entre os principais parceiros aparecem União Europeia, com 14,6% das vendas externas, e os Estados Unidos, responsáveis por cerca de 7,2% do faturamento do agro brasileiro.
Apesar do resultado recorde, o cenário internacional foi marcado por turbulências. Em 2025, mudanças na política comercial dos Estados Unidos — incluindo o chamado “tarifaço” — trouxeram incertezas para exportadores brasileiros.
As novas tarifas provocaram oscilações nas vendas para o mercado norte-americano, com queda de 6% no valor exportado ao país ao longo do ano.
Mesmo assim, o agronegócio conseguiu compensar parte desse impacto com a diversificação de mercados e o aumento das vendas para parceiros como China, México, Reino Unido e Argentina.
Cenário global incerto
O início de 2026 traz novos desafios para o comércio internacional. Alterações recentes nas tarifas comerciais dos Estados Unidos e tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, podem influenciar preços de energia, câmbio e custos de produção agrícola no mundo.
Diante desse ambiente volátil, especialistas destacam que o desempenho das exportações brasileiras continuará dependendo da demanda global por alimentos, da competitividade da produção nacional e das decisões políticas no comércio internacional.




