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Acordo Mercosul–UE inaugura nova fase do comércio global baseado em regras

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Assinado em Assunção, tratado conecta 720 milhões de pessoas e reposiciona os dois blocos diante de um cenário internacional mais protecionista

 

Após mais de duas décadas e meia de negociações intermitentes, avanços pontuais e impasses políticos, o Mercosul e a União Europeia assinaram, nesta sexta-feira (17/01), em Assunção, no Paraguai, o acordo de livre comércio que cria uma das maiores áreas comerciais do mundo. O tratado reúne economias que, juntas, somam cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto superior a US$ 22 trilhões, configurando um marco histórico tanto do ponto de vista econômico quanto geopolítico.

Mais do que reduzir tarifas e ampliar fluxos comerciais, o acordo simboliza uma escolha política clara em favor do multilateralismo, em um contexto internacional marcado pelo aumento do protecionismo, da fragmentação econômica e do uso do comércio como instrumento de pressão geopolítica. Durante a cerimônia, líderes dos dois blocos enfatizaram que o tratado representa uma aposta na cooperação, em regras comuns e na previsibilidade das relações internacionais.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que o acordo envia uma “mensagem clara” em defesa do comércio baseado em regras e do direito internacional, enquanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que o pacto conecta continentes e estabelece um mercado integrado de grande escala, capaz de gerar oportunidades de longo prazo para empresas e trabalhadores.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen: união histórica

Pelo lado sul-americano, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, anfitrião do encontro, ressaltou o papel do diálogo diplomático para superar resistências acumuladas ao longo de 26 anos. Já o presidente da Argentina, Javier Milei, defendeu que a implementação preserve o espírito de abertura comercial, alertando que mecanismos restritivos podem reduzir o impacto econômico do acordo.

Representando o Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reiterou a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para quem o tratado reforça a força do mundo democrático e cria bases para crescimento com inclusão social. Segundo Lula, a liberalização comercial só faz sentido se estiver associada à redução das desigualdades, à proteção ambiental e à geração de empregos.

Além da ampliação do comércio, o acordo prevê estímulos a investimentos europeus no Mercosul, com foco em cadeias de valor estratégicas, como transição energética, inovação tecnológica e economia digital. Para o governo brasileiro, o tratado também representa uma oportunidade de avançar na exportação de bens industriais de maior valor agregado, reduzindo a dependência histórica das commodities.

Com a assinatura, o texto segue agora para ratificação no Parlamento Europeu e nos congressos nacionais dos países do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial dependerá desse processo legislativo e deverá ocorrer de forma gradual ao longo dos próximos anos, inaugurando uma nova etapa das relações entre América do Sul e Europa.

(Com informações da Agência Brasil).

 

O que muda para o agro brasileiro com o acordo Mercosul–UE

  • Redução gradual de tarifas
    O acordo prevê a eliminação ou redução progressiva de tarifas para produtos agropecuários do Mercosul, ampliando o acesso ao mercado europeu, hoje um dos mais exigentes do mundo.
  • Ampliação de cotas para produtos estratégicos
    Carnes bovina e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, frutas e sucos passam a contar com cotas de importação com tarifas reduzidas ou zeradas, aumentando a previsibilidade das exportações.
  • Valorização de padrões sanitários e ambientais
    O cumprimento de exigências sanitárias, rastreabilidade e sustentabilidade tende a ganhar peso, estimulando investimentos em tecnologia, certificações e boas práticas no campo.
  • Mais oportunidades para produtos de maior valor agregado
    O acordo abre espaço para a exportação de alimentos processados, bebidas, produtos orgânicos e especiais, reduzindo a dependência de commodities in natura.
  • Pressão competitiva no mercado interno
    A abertura comercial também traz desafios, com maior concorrência de produtos europeus, especialmente lácteos e vinhos, exigindo ganhos de eficiência e diferenciação dos produtores locais.

Acordo Mercosul–União Europeia: linha do tempo

  • 1999 – Início formal das negociações entre Mercosul e União Europeia
  • 2004 – Primeira tentativa de acordo fracassa diante de divergências comerciais
  • 2010 – Negociações são retomadas após seis anos de paralisação
  • 2019 – Anúncio de acordo político preliminar entre os dois blocos
  • 2020–2022 – Tratado enfrenta resistências na Europa, especialmente por questões ambientais
  • 2023 – Reabertura do diálogo com ajustes em compromissos ambientais e climáticos
  • 2024 – Avanço técnico nas negociações finais
  • 2026 – Assinatura oficial do acordo em Assunção, no Paraguai
  • Próximos passos – Ratificação no Parlamento Europeu e nos congressos nacionais do Mercosul antes da entrada em vigor gradual

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