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Acordo Mercosul-EU passa a valer em maio, provisoriamente

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Após mais de 20 anos de negociações, tratado comercial começa a valer em maio e deve favorecer exportações, investimentos e integração produtiva

 

Depois de mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia finalmente avança para a prática. O Governo brasileiro confirmou que o tratado terá vigência provisória iniciada em 1º de maio de 2026, abrindo uma nova etapa nas relações econômicas entre os blocos.

A entrada em vigor ocorre após a conclusão dos trâmites formais. O Brasil notificou a União Europeia sobre a ratificação em março, enquanto o bloco europeu confirmou o processo dias depois, atendendo às exigências previstas no próprio acordo.

Considerado um dos mais amplos projetos de integração já conduzidos pelo país, o tratado deve ampliar significativamente o acesso de empresas brasileiras ao mercado europeu, além de facilitar a entrada de produtos do continente no Brasil.

Entre os principais efeitos esperados estão a redução de tarifas, a eliminação de barreiras comerciais e maior previsibilidade regulatória, fatores que tendem a estimular exportações, atrair investimentos e fortalecer a participação do país nas cadeias globais de valor.

O governo também destacou que seguirá trabalhando, em conjunto com os demais países do Mercosul e a União Europeia, para garantir a implementação efetiva do acordo e transformar seus benefícios em crescimento econômico, geração de empregos e desenvolvimento sustentável.

Quais setores mais ganham?

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tende a redesenhar a competitividade de diversos setores da economia brasileira — com destaque especial para o agronegócio.

Entre os principais beneficiados estão as cadeias exportadoras que já possuem forte presença internacional e potencial de expansão no mercado europeu. Produtos como carnes, grãos, açúcar, etanol e café devem ganhar competitividade com a redução de tarifas e a simplificação de regras comerciais.

Na pecuária, a expectativa é de ampliação das vendas de proteína animal, especialmente carne bovina e de frango, que passam a disputar espaço com maior vantagem frente a outros fornecedores globais. No segmento agrícola, soja e milho tendem a consolidar presença, enquanto o açúcar e o etanol podem ampliar nichos estratégicos, especialmente ligados à transição energética.

Outro destaque é o setor de alimentos processados, que ganha oportunidades com a maior previsibilidade regulatória e a harmonização de normas sanitárias e técnicas, facilitando o acesso ao consumidor europeu.

Por outro lado, segmentos industriais mais expostos à concorrência internacional devem enfrentar maior pressão, exigindo ganhos de eficiência e inovação para manter competitividade.

De forma geral, especialistas apontam que o acordo tende a favorecer cadeias produtivas organizadas, com escala, qualidade e capacidade de atender às exigências do mercado europeu — reforçando o papel do Brasil como fornecedor global de alimentos e energia.

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