Novo modelo do Consecana-SP reforça governança e equilíbrio na cadeia. Memorando do acordo foi assinado no último dia 3
Um dos principais pilares da relação entre indústria e produtores de cana no Brasil entra em uma nova fase. A assinatura de um acordo entre Unica e Orplana marca a atualização das bases do Consecana-SP, modelo que há décadas orienta a remuneração e o equilíbrio na cadeia sucroenergética.
O Memorando de Entendimento (MoU) estabelece dois eixos centrais: a adoção integral da revisão técnica e econômica conduzida pela FGV Agro e a modernização da governança do sistema. A proposta busca trazer maior previsibilidade às regras e reforçar a participação dos produtores nas decisões, em um modelo que já é considerado referência no setor.
A revisão atualiza critérios que impactam diretamente a formação de valor da cana, além de fortalecer o equilíbrio entre os diferentes agentes da cadeia. O movimento também sinaliza um avanço institucional importante, ao consolidar mecanismos de decisão mais estáveis e transparentes.
Para o presidente-executivo da Unica, Evandro Gussi, o acordo reflete a evolução do setor. “Este acordo representa a maturidade do nosso setor. Indústria e produtores reafirmam que sabem construir juntos — e é isso que nos torna referência”, afirma o executivo.
Na mesma linha, o presidente do Conselho da Orplana, Roberto Cestari, destaca o alinhamento com princípios históricos da entidade. “A Orplana sempre defendeu rigor técnico e governança paritária. Este MoU honra esses dois princípios e abre um ciclo promissor para o setor”, afirma.
A formalização do acordo será celebrada durante o Cana Summit, evento que reúne lideranças do setor e que, nesta edição, também marca os 50 anos da Orplana. O momento reforça a simbologia da iniciativa, que projeta um novo ciclo de cooperação e estabilidade para a cadeia sucroenergética brasileira.
O novo equilíbrio de forças no setor sucroenergético
A atualização do Consecana-SP representa mais do que um ajuste técnico: sinaliza uma reorganização estrutural na relação entre produtores e indústria. Em um setor historicamente marcado por tensões na formação de preços e divisão de valor, o novo acordo indica um avanço relevante na construção de um ambiente mais previsível e institucionalizado.
A incorporação de critérios técnicos revisados pela FGV Agro fortalece a base econômica do modelo, reduzindo distorções e ampliando a transparência na remuneração da matéria-prima. Ao mesmo tempo, a modernização da governança e o reforço da participação dos produtores indicam um movimento de maior equilíbrio nas decisões estratégicas.
Esse novo arranjo ganha ainda mais importância em um contexto de transformação do setor, impulsionado pela bioenergia, pelos mercados de carbono e pela crescente demanda global por combustíveis renováveis. A cadeia da cana deixa de operar apenas como produtora de açúcar e etanol e passa a integrar uma agenda mais ampla, que envolve energia, sustentabilidade e geopolítica.
Nesse cenário, acordos como esse não apenas reduzem conflitos internos, mas também fortalecem a capacidade do setor de responder a um ambiente externo cada vez mais complexo — e competitivo.




