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UE abre portas, mas impõe filtro rigoroso ao agro brasileiro

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Entrada em vigor do tratado amplia mercado e eleva exigências Mais do que exportar, setor terá de provar origem, sustentabilidade e confiabilidade

 

A abertura do mercado europeu ao agronegócio brasileiro marca um avanço comercial relevante, mas traz consigo um novo tipo de exigência: a disputa pela confiança. Com a entrada em vigor provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia, o setor passa a enfrentar não apenas barreiras técnicas, mas também um desafio estratégico de posicionamento internacional.

A partir de maio, produtores brasileiros terão acesso ampliado a um dos mercados mais exigentes do mundo, onde critérios como rastreabilidade, transparência e sustentabilidade deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos básicos. Nesse cenário, a forma como o agro se apresenta ao consumidor europeu tende a influenciar diretamente sua competitividade.

Daminan Lluna, conselheiro da UE: rastreabilidade e novas certificações

“Há uma oportunidade clara de fortalecer a confiança no produto brasileiro. O investimento em rastreabilidade e em novas certificações podem transformar a percepção do agro no mercado europeu”, afirma Damian Vicente Lluna, conselheiro de comércio da Delegação da União Europeia no Brasil. Lluna participou do encontro do ABMRA Ideia Café da última terça-feira, (31/03), promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA).

Nos últimos anos, a imagem do agro brasileiro foi impactada por debates relacionados ao desmatamento e às práticas ambientais. Apesar de avanços recentes, especialistas apontam que ainda há espaço para consolidar uma narrativa mais consistente, baseada em dados e evidências.

Nesse novo contexto, três pilares passam a orientar a presença brasileira no mercado europeu. “Mostrar a capacidade de rastreabilidade, confiabilidade e sustentabilidade pode gerar mais proximidade com o consumidor europeu”, destaca Lluna. Para o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, o momento exige mudança de postura. “Estamos diante de uma oportunidade de reposicionar o agro brasileiro não apenas como fornecedor, mas como uma marca global”, afirma.

Com a nova configuração, o desafio passa a ser duplo: ampliar exportações e, ao mesmo tempo, construir uma reputação sólida. A capacidade de alinhar produção, comunicação e comprovação de práticas sustentáveis será determinante para garantir acesso e permanência em mercados cada vez mais seletivos.

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