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ABMRA alerta: as fake news ameaçam os negócios

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Debate promovido pela entidade reúne pesquisadores e entidades para discutir impactos econômicos das fake news

 

A desinformação deixou de ser um problema restrito ao ambiente político e passou a ocupar o centro das preocupações do setor corporativo. Em um cenário cada vez mais dependente de confiança, reputação e influência digital, empresas começam a enfrentar impactos diretos causados pela circulação de conteúdos falsos, manipulação de narrativas e ataques à credibilidade de marcas e instituições.

O tema ganhou destaque durante o ABMRA Ideia Café, promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), que reuniu representantes do Instituto Ethos e do NetLab para discutir os efeitos econômicos e reputacionais da desinformação no ambiente de negócios.

Na abertura do encontro, Ricardo Nicodemos, presidente da associação, afirmou que o avanço da desinformação se conecta diretamente à missão da entidade. “A ABMRA completa em junho 47 anos e uma das missões da entidade é exatamente ajudar o mercado a se comunicar da melhor maneira possível. E essa questão da informação é, sem dúvida, um dos grandes pilares e uma das nossas maiores preocupações”, destacou.

Ao longo do debate, especialistas ressaltaram que as fake news evoluíram para um modelo estruturado de monetização e manipulação de comportamento, com capacidade de influenciar consumo, enfraquecer instituições e afetar diretamente resultados corporativos.

Para Marie Santini, professora de comunicação social da UFRJ e fundadora do NetLab, a dimensão econômica do problema se tornou central. “Hoje se entende que esse é um dos fatores que mais ameaçam a economia no mundo. Toda economia é baseada em confiança, e a desinformação afeta justamente esse elemento central, que é a confiança e a reputação das empresas”, analisou.

Segundo Márcio Borges, pesquisador do NetLab, os impactos corporativos são imediatos. “Quando eu ataco a confiança, eu ataco diretamente o negócio. Eu ataco diretamente a razão econômica da transação comercial que é estabelecida a partir de uma relação de confiança”, afirmou.

Durante o encontro, um dado chamou atenção dos participantes: cerca de 80% dos brasileiros utilizam redes sociais como principal fonte de notícias e informações, colocando o país na liderança global nesse hábito de consumo informacional. Ao mesmo tempo, o Brasil aparece na última posição em capacidade de identificar conteúdos falsos entre 21 países analisados.

Outro ponto destacado foi o papel da publicidade programática no financiamento indireto desse ecossistema. Segundo os pesquisadores, empresas podem acabar direcionando investimentos publicitários para ambientes que disseminam conteúdos enganosos sem sequer terem conhecimento disso.

O avanço do debate levou à criação da Coalizão Empresarial contra a Desinformação, liderada pelo Instituto Ethos com apoio técnico do NetLab e participação de entidades empresariais e do setor de comunicação.

 

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