Dados do IBGE confirmam expansão da produção, enquanto mercado enfrenta queda nas cotações e alerta para margens no início do ano
Os dados preliminares do IBGE para o quarto trimestre de 2025 confirmam a retomada consistente da produção de suínos no Brasil. No acumulado do ano, o abate cresceu 3,39% em número de cabeças e 4,46% em toneladas de carcaças frente a 2024.
O avanço ocorreu mesmo com aumento do peso médio das carcaças, que passou de 92,11 kg em 2024 para 93,07 kg em 2025. Em dezembro, no entanto, o indicador recuou para 90,23 kg, sugerindo menor retenção de animais nas granjas na virada do ano.
Apesar do crescimento produtivo e do forte desempenho das exportações em 2025 — que avançaram quase 12% no ano — o início de 2026 trouxe pressão sobre os preços. Em janeiro, o Brasil embarcou mais de 100 mil toneladas de carne suína in natura, alta de 14,2% sobre janeiro de 2025, com destaque para Filipinas e Japão, enquanto a China manteve trajetória de queda nas compras.
No mercado interno, porém, a combinação entre demanda sazonal mais fraca, estoques remanescentes e recuo nas cotações do frango provocou queda nos preços do suíno vivo e das carcaças. A relação de troca com milho e farelo de soja caiu pelo quinto mês consecutivo, acendendo sinal de alerta quanto às margens, ainda que a atividade não opere, na maioria dos casos, no prejuízo.
O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, avalia que o movimento de baixa pode estar próximo do fim. “É fato que a suinocultura brasileira retomou o crescimento da produção e o aumento das exportações já não é suficiente para enxugar o mercado. A concorrência com as outras carnes se torna um fator muito importante neste contexto, sendo que o mercado de carne bovina, com a esperada virada de ciclo pecuário, pode ser o fiel da balança para sustentar os preços do suíno em patamar que permita manter margens financeiras positivas, mesmo com maior oferta de carne suína no mercado doméstico ao longo de 2026”, conclui.




