A Plataforma AgroRevenda, espaço maior da comunicação da distribuição brasileira de insumos agrícolas e veterinários, acompanhou nesta semana, em Ribeirão Preto (SP), o 1º Markestrat Summit. Uma parceria com a
Harven Agribusiness School e o Banco ABC Brasil. Mais de uma centena de profissionais de empresas, indústrias, revendas, distribuidoras, usinas e cooperativas de todo o Brasil mergulhando fundo no conturbado momento econômico, político e financeiro do mundo. Debatendo as tendências que vão transformar o campo e os negócios nos próximos anos. E ainda acompanhando o lançamento do Markestrat Intelligence And Data, novo negócio da consultoria. No fim de tudo, a certeza: o momento é delicado, mas o planeta precisa do Brasil pelo menos três vezes ao dia: no café da manhã, almoço e jantar.
O time de especialistas da Markestrat participou em peso, com Matheus Alberto Cônsoli, Elio Galli Neto, Fernando De Cesare Kolya, Fabio Matuoka Mizumoto, José Carlos de Lima Júnior, Luciano Thome e Castro, Mairun Junqueira
Alves Pinto, Lucas Sciencia do Prado, Rodrigo Alvim Afonso, Tássia Gerbasi, Sob o comando de Marcos Fava Neves e Roberto Fava Scare. O encontro ainda contou com a participação de público via internet e a presença dos deputados federais Pedro Lupion e Arnaldo Jardim, Presidente e Vice-Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
“O agro está sofrendo com vários problemas ao mesmo tempo. E o mais grave é que a política entrou dentro da porteira da fazenda. A máquina pública gasta barbaramente e pressiona os juros para cima. Precisamos urgentemente de uma reforma administrativa para diminuir o custo e o tamanho do Estado”, defendeu Lupion. O parlamentar também criticou a administração federal por lutar contra o
projeto de lei do pagamento das dívidas rurais e a mudança na legislação sobre jornada de trabalho. “O nosso governo desestimula o trabalho. Precisamos de todo o apoio do segmento para a trincheira de nosso setor. Principalmente neste ano de eleições majoritárias. Até porque a maioria dos brasileiros está contra as principais diretrizes da atual presidência. Todos devem optar por candidatos que defendem efetivamente o agro. E convencer outros eleitores. Sejam criteriosos. É o meu apelo”, concluiu o presidente da Frente.
“Penso que as questões mais importantes para a gente são cuidar da melhor forma as soluções das recuperações judiciais, aprimorar o seguro rural, rever o Manual de Crédito do Banco do Brasil e unir da melhor e mais rápida forma possível o financiamento com o mercado de capitais”, analisou Arnaldo Jardim. Que também indicou outros temas vitais, como a Lei dos Cultivares, combustíveis e o Programa de Fertilizantes. Os dois parlamentares ainda
criticaram a ‘pauta ambiental negativa’ que paira na Câmara Federal e Senado, que dificulta o avanço tecnológico como no caso da irrigação. “É muita dificuldade para normas que facilitem as outorgas, as licenças. Querem que os produtores até paguem pela água usada na produção de alimentos”, falou indignado Pedro Lupion. “Trabalhamos para que o agricultor brasileiro seja como o americano, que tem capacidade financeira para montar o seu pivô, instalar um armazém na fazenda, obter desconto na tarifa de energia elétrica nos horários específicos em que vai irrigar a lavoura”, defendeu Arnaldo Jardim.
A questão trabalhista ganhou ainda mais destaque na evolução dos debates. “O setor vive um momento verdadeiramente crítico. Principalmente devido à questão das dívidas e a ideia de mudar a lei e garantir dois dias de
folga a todos os trabalhadores contratados pela CLT”, insistiu Roberto Fava. Tanto que os especialistas indicam que empresas como a poderosa Aurora, que emprega hoje 52 mil funcionários, teriam que contratar onze mil trabalhadores a mais se a nova lei for aprovada. “Isso com a cooperativa tendo que recorrer atualmente a empregados haitianos, venezuelanos e africanos por falta de brasileiros. No Brasil inteiro, são 40 mil vagas que não vão ser ocupadas por falta de mão de obra do país. É uma medida irresponsável e eleitoreira do governo”, fuzilou Pedro Lupion.
O Summit ainda abordou temas como cenário econômico, competitividade internacional, política tarifária, restrições impostas por mercados externos e os impactos de conflitos geopolíticos sobre a produção agropecuária. Lideranças destacaram a necessidade de planejamento diante de um ambiente marcado por juros elevados, custos de produção em alta e incertezas no comércio global. Também foram discutidas estratégias para fortalecer a presença do Brasil nos mercados internacionais, além da importância da informação qualificada para apoiar a tomada de decisões por produtores e empresas do setor.
O cenário todo foi esquematizado por Daniel Xavier, economista chefe do banco ABC Brasil, na abertura das palestras. Ele deixou claro que os Estados Unidos vão manter por um bom tempo a política de examinar tarifas
maiores para os seus fornecedores. “Logo, a chave para o Brasil é negociar bastante. Com todo mundo”, aconselhou. Ele destacou o aumento de 40% no preço do petróleo, o trânsito de navios no Estreito de Ormuz ‘que foi para a lona’ e os vários problemas que atingem os EUA: gastos com a guerra contra o Irã, juros e o Produto Interno Bruto (PIB). Para o Brasil, o horizonte não é tão distinto. “Neste ano, esperamos uma taxa Selic de juros em 14,25% e que só deve diminuir um pouco a partir de 2027. O Banco Central do Brasil vai precisar manter a rigidez para controlar a inflação. Até porque o PIB segue em alta por causa dos gastos descontrolados do governo federal, que vem deteriorando cada vez mais a dívida pública. E o Real vai ficar ainda mais volátil a partir da virada de semestre. O PIB só deve ficar perto de 2% graças ao agro, às exportações e ao petróleo nacional. Porém com o problema fiscal agravando-se ainda mais”, referendou. Indagado sobre as eleições deste ano, o economista resumiu a visão do banco. “Flávio Bolsonaro segue firme na corrida presidencial e a ‘terceira via’ até caiu nas pesquisas depois das revelações envolvendo o senador e o dono do Banco Master. Está certo que os cenários mudam e os eventos também. Mas o recall do filho de Jair Bolsonaro ainda é gigante”, explicou.
Enquanto isso, a instituição segue confiando nos negócios rurais. “Estamos atendendo os clientes da melhor maneira
possível. 25% de nossas atividades estão alocadas no agronegócio. É uma confiança forte no poder do setor. E acreditamos que tudo pode melhorar com estratégias estruturadas dos agentes do segmento e um panorama mais estável na economia brasileira. Afinal, é difícil toda a cadeia trabalhar com juros altíssimos durante tanto tempo”, examinou Daniel Credidio, executivo do Banco ABC Brasil, que atua há 37 anos no país em diversas áreas, incluindo o agro.
Outro ponto de destaque foi o papel da inovação, a formação de profissionais e a troca de experiências entre lideranças para garantir o crescimento sustentável do agronegócio. Os especialistas defenderam maior integração entre setor público e iniciativa privada para enfrentar desafios futuros e ampliar a competitividade brasileira no cenário global.
Foram mais de dez apresentações, durante quatro horas. Matheus Alberto Cônsoli relembrou a trajetória de 22 anos da Consultoria Markestrat, que foi gestada na Universidade de São Paulo (USP), nos anos 1990. Atualmente, atua com mais de 600 revendas em 30 países e vinte dos maiores distribuidores brasileiros de insumos. Na sequência, vieram a Harven Agribusiness School, em 2023, e agora o lançamento da MIND. “Nossa atuação sempre visou capturar valores e serviços puros no segmento. Tendo as pessoas como a principal matéria prima”, ratificou Matheus.
Já o professor Marcos Fava Neves tratou do futuro. “O mundo ainda vai continuar precisando do Brasil para comer. Mesmo com a China diminuindo a população, correndo atrás de produção própria e comprando menos da gente. Ok, vivemos um momento turbulento, com juros, guerras, custos em alta, petróleo caro, câmbio nervoso e falta de trabalhadores capacitados. Entretanto, vejo o futuro com muitos dados positivos. Vamos usar o agro para substituir o diesel, a área de produção pode aumentar em até 20 milhões de hectares, estamos erguendo dezenas de usinas de etanol de milho, cana, sorgo e trigo. Temos um mundo de negócios pela frente, em portos, rodovias, educação, varejo, alimentos, energia, máquinas, insumos, indústrias. Daqui para frente, o que vai separar empresas vitoriosas e as que ficam pelo caminho é a boa gestão”, sentenciou Fava Neves.
Um otimismo dividido por Fernando Kolya, que apresentou a Markestrat Intelligence and Data, a MIND, nova unidade de negócio da consultoria. E deitou números sobre o que pode ocorrer com a fazenda brasileira em dez anos. “A MIND nasce com a proposta de alocar profissionais e empresas na tomada das melhores decisões”, cravou Fernando Kolya, ao mostrar a identificação visual da marca e apresentar o estudo ‘2026 – 2035 Outlook Agro Brasil. Oportunidades para o Agronegócio Brasileiro’.
A Terra hoje é ocupada por 8,7 milhões de habitantes e exige atenção total do nosso país para as atividades agrícolas e pecuárias do novo tempo. Apostar em acordos comerciais, mercados emergentes, bioenergia e biocombustíveis,
tendências de consumo, expansão agroalimentar na África, diversificar os parceiros de negócios e fortalecer a atuação dos adidos agrícolas. “A população deve crescer em 654 milhões de pessoas até 2035 e vai precisar de produtos do nosso campo. Soja e milho vão avançar em áreas de plantio, produção e uso para combustíveis. Certamente, os chineses continuarão com o objetivo e produzir mais alimentos, caindo de 109 milhões de toneladas de importação para 31 milhões em 2035. Mas não muda em nada nossas metas estratégicas de competitividade, gestão de risco, boa política externa, ciclo das proteínas, biocombustíveis e aumentar a capacidade de armazenagem para mais 60milhões de toneladas de grãos”, apontou Fernando Kolya.
O encontro terminou com uma mesa de debates composta por analistas da Markestrat, Luiz Osório Dumoncel, Presidente do Conselho de Administração da 3Tentos, e o Superintendente Comercial Agronegócios Sudeste do Banco ABC Brasil. “Efetivamente, os atores da cadeia precisam fazer a lição de casa bem feita. Olho no caixa, ter organização plena, acessar outros ‘bolsos’ para financiar as atividades. Fazer parcerias, ter gestão eficiente, apetite, mas com planejamento e juízo. O volume do agro nosso é fabuloso, mas temos que ter obsessão por vender
produtos mais caros, valorizados”, decretou Marcos Fava.
Uma lição que vem sendo aprendida fielmente pela 3Tentos, distribuidora de insumos com três décadas de atividade, trinta mil acionistas, que atua com sementes, grãos, defensivos e agora na produção de etanol de milho. “Penso que o nosso sucesso vem da coesão que
mantemos com os produtores rurais e os nossos fornecedores. E não perdemos o nosso core. Produzimos alimentos e estamos no agronegócio de olho no cuidado com o meio ambiente”, arrematou Luiz Osório Dumoncel. No fim de tudo, a certeza do Mestre Fava Neves: “O momento é delicado, mas o planeta precisa do Brasil pelo menos três vezes ao dia: no café da manhã, almoço e jantar”.




