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Cooperativismo gaúcho mira crédito, clima e infraestrutura

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Setor apresenta plano para ampliar competitividade e responder a desafios econômicos e ambientais

 

Diante de um cenário marcado por eventos climáticos extremos, restrição de crédito e pressão sobre custos, o cooperativismo gaúcho organiza uma resposta estruturada para sustentar o crescimento do setor. A Agenda Institucional do Cooperativismo Gaúcho 2026 reúne propostas que buscam fortalecer o ambiente de negócios e ampliar a competitividade das cooperativas no Rio Grande do Sul.

Elaborado a partir das demandas do próprio setor, o documento posiciona o cooperativismo como agente ativo na construção de soluções econômicas e sociais. Com 372 cooperativas, mais de 4,2 milhões de associados e faturamento superior a R$ 93 bilhões, o segmento responde por cerca de 14% do PIB estadual, o que reforça seu peso estratégico na economia gaúcha.

No agro, uma das principais frentes, a agenda propõe medidas para enfrentar os impactos de secas e enchentes, incluindo a criação de um fundo emergencial para eventos climáticos e programas de renegociação de dívidas. Também defende a ampliação do acesso a crédito subsidiado para insumos, maquinário e irrigação, além do fortalecimento de políticas de seguro rural.

A competitividade das cadeias produtivas aparece como outro eixo central, com iniciativas voltadas à agregação de valor, industrialização e acesso a mercados. O documento ainda aborda temas sensíveis, como a defesa da cadeia vitivinícola e o estímulo ao consumo de produtos locais.

Na área de infraestrutura, o foco está na ampliação do acesso à energia trifásica e à conectividade no meio rural, considerados gargalos para a eficiência produtiva. A proposta inclui a expansão de programas existentes e incentivos para cooperativas que atuam na oferta de internet no interior.

O plano também contempla avanços em qualificação profissional, desburocratização, educação financeira e ampliação da participação das cooperativas em políticas públicas, além de iniciativas para saúde, transporte e logística.

“Nosso objetivo com esta agenda é reforçar que o cooperativismo gaúcho quer estar presente, de forma propositiva, na construção das soluções que o Rio Grande do Sul precisa”, afirma Darci Hartmann, presidente do Sistema Ocergs. Com pautas transversais e setoriais, a agenda busca consolidar o cooperativismo como instrumento estratégico de desenvolvimento sustentável e integração regional.

Clima, crédito e custo: o tripé de pressão sobre o agro gaúcho

A agenda do cooperativismo gaúcho para 2026 deixa claro que o setor enfrenta uma combinação de desafios que exige respostas estruturais. Entre eles, os eventos climáticos extremos aparecem como fator central, com secas e enchentes recorrentes impactando diretamente a produtividade e elevando o risco das atividades agrícolas.

Ao mesmo tempo, o encarecimento do crédito e o aumento do endividamento limitam a capacidade de investimento das cooperativas e dos produtores. Esse cenário cria um ciclo de pressão que compromete tanto a expansão quanto a sustentabilidade financeira do setor.

Outro ponto crítico é a elevação dos custos de produção, impulsionada por insumos, logística e infraestrutura ainda insuficiente em regiões-chave. A falta de energia adequada e conectividade no campo agrava esse quadro, reduzindo a eficiência e a competitividade.

Diante desse contexto, a agenda proposta pelo setor aponta para uma mudança de abordagem: sair de medidas pontuais e avançar para políticas integradas, que combinem crédito acessível, instrumentos de proteção contra riscos e investimentos em infraestrutura. Mais do que crescer, o desafio do agro gaúcho agora é se tornar mais resiliente.

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