Levantamento indica necessidade de até 26 mil contratações adicionais e risco de perda de competitividade, inflação e aumento da informalidade no setor
A eventual redução da jornada semanal de trabalho no Brasil acendeu um sinal de alerta no cooperativismo catarinense. Um estudo divulgado pela Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC) estima que a medida poderá elevar os custos das cooperativas em até R$ 10,8 bilhões por ano, pressionando a competitividade e a sustentabilidade econômica do setor.
Atualmente, as cooperativas do Estado empregam mais de 102 mil trabalhadores. Caso a carga horária semanal seja reduzida de 44 para 40 horas, será necessário contratar 12.394 novos colaboradores, o que representaria um aumento de cerca de 13% no quadro atual e um custo adicional mensal superior a R$ 74 milhões. Em um cenário mais extremo, com jornada de 36 horas, seriam exigidas 26.664 novas contratações, com impacto mensal próximo de R$ 160 milhões — um crescimento de aproximadamente 26% na força de trabalho.
Segundo o presidente da OCESC, Vanir Zanatta, a mudança poderá comprometer a operação de setores estratégicos. “A redução da carga horária semanal de trabalho sem análise dos seus impactos pode, sem exageros, inviabilizar setores sensíveis”, afirma. Ele destaca ainda que a falta de mão de obra disponível agrava o problema, já que Santa Catarina registrou taxa de desemprego de apenas 2,3%, caracterizando uma situação próxima do pleno emprego.
O levantamento aponta que o ramo agropecuário seria o mais impactado, concentrando a maior parte das contratações adicionais necessárias. Para Zanatta, a redução da jornada sem diminuição proporcional dos salários elevará o custo por hora trabalhada, pressionando os preços e podendo estimular a informalidade. “O aumento dos custos operacionais será inevitável, gerando perda de competitividade e inflação”, alerta.
A OCESC defende que eventuais mudanças nas regras de jornada sejam discutidas em negociações coletivas, considerando as especificidades de cada setor. Para a entidade, a medida chega em um momento em que o setor produtivo já enfrenta desafios estruturais como elevada carga tributária, insegurança jurídica e gargalos logísticos, fatores que limitam a competitividade das cooperativas brasileiras no mercado global.




