Expansão das relações com a Ásia passa a ser tratada como prioridade estratégica dentro do cooperativismo agropecuário brasileiro
A disputa global por mercados estratégicos e a crescente influência asiática no comércio internacional de alimentos vêm acelerando uma mudança importante dentro do agronegócio brasileiro: cooperativas e empresas passaram a atuar de forma mais estruturada na construção de relações comerciais, institucionais e tecnológicas de longo prazo com países da Ásia.
Nesse contexto, uma missão oficial liderada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reuniu ontem, em Xangai, representantes de algumas das principais cooperativas agropecuárias brasileiras para discutir oportunidades comerciais e tendências do mercado asiático. A agenda integrou a missão técnica “Asia Expert”, organizada pela Ourofino Agrociência, com passagens também pela Coreia do Sul e Japão.
O encontro contou com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, que destacou o peso estratégico da China para o agronegócio brasileiro logo no início de sua gestão. “Assumi o Ministério da Agricultura e Pecuária há cerca de 45 dias com o compromisso de dar continuidade a um trabalho construído com consistência ao longo dos últimos anos”, afirma André de Paula.
Segundo o ministro, a escolha da China como uma das primeiras agendas internacionais reforça a centralidade do país asiático para o comércio exterior brasileiro. “E não é por acaso que uma das primeiras agendas internacionais é na China, nosso maior parceiro comercial. Precisamos seguir fortalecendo essa relação, ampliando oportunidades e consolidando o agro brasileiro como um dos pilares da segurança alimentar global”, afirma.
A missão reúne lideranças de cooperativas como C.Vale, Lar Cooperativa Agroindustrial, Comigo, Copacol, Coopercitrus, Integrada Cooperativa Agroindustrial, Cotrijal, Copasul e Coplacana.
Além de ampliar conexões comerciais, a proposta da missão é aproximar o cooperativismo brasileiro das transformações econômicas e tecnológicas em curso na Ásia. Marcelo Abdo, CEO da Ourofino Agrociência, afirma que o continente passou a ocupar papel central na estratégia global do agro brasileiro. “A Ásia deixou de ser uma agenda complementar e passou a ocupar posição estratégica para o futuro do Brasil”, acrescenta Abdo.
Segundo ele, o programa Asia Expert foi criado justamente para fortalecer relações estruturadas entre os dois lados. “O programa Asia Expert foi desenvolvido justamente para aproximar lideranças do agro brasileiro das transformações em curso na região e contribuir para a construção de relações de longo prazo com parceiros asiáticos.” O movimento ocorre em um momento de crescente dependência asiática das importações de alimentos, proteínas e insumos agrícolas, ao mesmo tempo em que o Brasil amplia protagonismo como fornecedor global de commodities e produtos agroindustriais.




