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Arábia Saudita, Frango Brasil e cotovelada! Por Riba Ulisses

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Os sauditas nasceram e cresceram comendo a carne de frango produzida no Brasil.
Há mais de trinta anos.
O país é uma das ditaduras mais severas do planeta e tradicional consumidor da nossa proteína branca.
No ano passado, compraram quase meio milhão de toneladas.
Só ficaram atrás dos gulosos dos chineses.

E também importam nosso açúcar e nossa carne bovina.
Com uma população marcadamente muçulmana, os habitantes sauditas consideram a carne suína ‘impura’ e consomem pouca carne bovina por causa dos preços.
São tarados por frango e carneiro.

Nesta semana, o país árabe que repousa sobre bilhões de litros de petróleo sacudiu a cadeia produtiva brasileira ao suspender a compra de onze frigoríficos de aves do Brasil.
As plantas representam 60% do que é exportado para aquele país.
A maioria da JBS, a maior processadora de proteína animal do mundo inteiro.
E não explicou os motivos e nem a duração da sanção.

O Brasil não deixa de vender para eles.
A Arábia Saudita refez e divulgou a tradicional lista de indústrias abatedoras habilitadas a comercializar com o país.
Uma ação rotineira no comércio mundial.
Mas a atitude não esconde a clara proteção irregular à produção interna de frangos deles.

O Brasil é o maior exportador de frango do mundo.
São 4,23 milhões de toneladas comercializadas no exterior em 2020.

O Governo brasileiro e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estranharam a decisão, reforçaram que o produto nacional tem qualidade máxima e aguardam mais detalhes por parte dos árabes.
Mas estão preocupados com excesso de oferta interna, abalo nos preços e insegurança nos demais parceiros comerciais por ‘manchar’ a reputação do Brasil no mercado externo.

O que fazer?
Só há um caminho.
O Brasil deve continuar produzindo com qualidade e segurança sanitária, ofertar o que fazemos ao mundo inteiro e exigir transparência e reciprocidade a todos os parceiros comerciais.
Se for necessário, até retaliar a Arábia Saudita se comprar algum produto importante daquele país.
Como disse o genial Blairo Maggi, quando era Ministro da Agricultura, “no mercado internacional, muitas vezes, temos que dar umas cotoveladas”.

O mundo não está, nunca esteve e nunca vai estar preparado para fazer negócios com regras claras, honestas e aceitas por todos.
Os países são reféns de seus consumidores, sindicatos, eleitores.
Das pressões de empresas improdutivas e trabalhadores amadores.

O que menos conta na atuação internacional e comercial das nações é a competência, o mérito, produzir bem, com rastreabilidade, preços justos, manter mercados abertos, na exportação e importação.
Por isso a espetacular ideia da criação da Organização Mundial do Comércio é um fracasso completo.

Quem manda nos negócios do planeta não são empresas e trabalhadores competentes, eficientes e produtivos.
São os interesses políticos e corporativistas.
Azar do consumidor!

 

Coluna Radar Agro

por Riba Ulisses

Jornalista há 38 anos. Formado na Universidade Estadual de Londrina e com especialização em Marketing na Cásper Líbero, em São Paulo. As principais experiências foram no jornalismo de televisão, e em revistas, sites e eventos ligados ao Agronegócio. Tem passagens por empresas como TV Globo, SBT, Safeway,  Jornal da Tarde, Folha de Londrina, Revista Placar e Rede Paranaense de Comunicação. Reportagem, com produção de matérias, programas e telejornais, e coordenação de equipes de trabalho em informação e entretenimento.
Desde 2017, AgroDiretor de Conteúdo no Grupo Publique.

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