O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve anunciar amanhã, 2 de abril, um novo pacote de tarifas de importação – chamado de Trump Shock – durante o evento Liberation Day. A medida pode impactar até dois trilhões de dólares em produtos. Segundo Roberto Uebel, economista e professor do curso de Relações Internacionais da ESPM, os efeitos se estenderão além do comércio, afetando também as relações políticas e geopolíticas globais.
“Trata-se de um fenômeno que chamo de fragmentação da multilateralidade. Essas novas tarifas não são apenas econômicas, mas possuem objetivos políticos claros, como pressionar países como México e Canadá— no primeiro caso, para restringir a migração irregular, e no segundo para garantir um acordo mais favorável aos EUA na importação de petróleo”, afirma Uebel.
Quanto ao impacto no Brasil, o professor destaca a preocupação com as exportações de produtos tarifados, como aço, minério de ferro e algumas commodities agrícolas. No entanto, considerando o déficit comercial do país com os EUA e a possibilidade de expandir mercados além de Estados Unidos e China—explorando destinos como Vietnã e Japão, recentemente visitados pelo presidente Lula, ou economias emergentes como Índia e Indonésia, que devem se tornar potências até 2050—os efeitos dessas tarifas podem ser atenuados.
“Minha maior preocupação são os impactos indiretos, especialmente no campo político. Como o Brasil se posicionará diante desse novo cenário internacional? Optará por uma relação pragmática com os EUA e o fortalecimento dos BRICS, ou buscará uma abordagem mais multilateralista, priorizando grupos como o G20, a OCDE e o Mercosul? Ainda não vejo uma resposta clara para essa questão”, avalia Uebel.
O especialista lembra que os principais setores da economia global serão impactados pelo chamado “Trump Shock”, abrangendo desde o agronegócio latino-americano até indústrias de alta tecnologia, como inteligência artificial e computação quântica. Além disso, os efeitos geoeconômicos atingirão setores estratégicos, como o de terras raras e minerais críticos, envolvendo atores tão diversos quanto Brasil, Ucrânia, Bolívia, Austrália e China.
“A questão não é se o mercado norte-americano será afetado, mas quando e com qual intensidade. Economistas de Wall Street já preveem impactos imediatos, especialmente para o consumidor comum, que sentirá a pressão inflacionária em produtos do dia a dia, seja no supermercado ou em plataformas como Amazon e eBay. No mercado de capitais, a incerteza se traduz em juros mais altos, impulsionados pela desconfiança de investidores estrangeiros, que buscarão ativos mais seguros e previsíveis. Não por acaso, o próprio Elon Musk admitiu que a associação com o governo Trump tem reduzido o valor da Tesla. A grande incógnita que permanece é: até quando a economia dos EUA suportará os efeitos deste chamado Liberation Day?”, diz Uebel.
Sobre a ESPM – A ESPM é uma escola de negócios inovadora, referência brasileira no ensino superior nas áreas de Comunicação, Marketing, Consumo, Administração, Economia Criativa e Tecnologia. Seus 12.600 alunos dos cursos de graduação e de pós-graduação e mais de 1.100 funcionários estão distribuídos em quatro campi – dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro e um em Porto Alegre. Possui cinco unidades regionais em Belo Horizonte, Florianópolis, Goiânia, Salvador e Curitiba. O lifelong learning, aprendizagem ao longo da vida profissional, o ensino de excelência e o foco no mercado são as bases da ESPM.