10 de dezembro de 2019

Top Farmers 2019 aposta no conhecimento

Evento traçou perspectivas prósperas para o agronegócio em 2020 e reuniu mais de 470 participantes do agro.

Principal vitrine de um setor que registrou um crescimento de 1,4% no Brasil neste ano segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o  Encontro Nacional Top Farmers 2019, que aconteceu nos dias 3 e 4 de dezembro, reunindo no Hotel Royal Palm Hall, em Campinas (SP) mais de 470 participantes do agro de diversas regiões do país, mais uma vez expôs a simbologia do agronegócio como sendo um dos pilares mais relevantes para a economia. Por detrás da força do setor estão empreendedores que acreditam no Brasil e estão dispostos a investir, gerar empregos e renda nos mais variados setores da economia. Essa motivação foi percebida entre as marcas expositoras do evento e entre os participantes que demonstraram que não há como crescer se não houver investimento, assertividade ao adquirir novas tecnologias e sistemas de gestão, contratação de pessoas capacitadas e busca de conhecimentos sobre o negócio e sobre o que o mercado tem apresentado de novo, além de estar por dentro das tomadas de decisões dos sistemas político e econômico.

É exatamente isso que o economista Ricardo Amorim, que palestrou no evento com o tema ‘Guerras comerciais, reformas, confusões políticas, transformação digital e o futuro o agro brasileiro’ acredita: “O que mudou muito no agro brasileiro na última década é que da porteira pra dentro a produtividade cresceu muito, bem como o aprendizado em lidar com as questões da porteira para fora, porque são elas que determinam preço, a demanda, o quanto e quando o produtor vai vender ou não. E, nesse sentido, o agro brasileiro está se sofisticando e se tornando cada vez melhor, e eventos como esse colaboram para isso. Para mim é um prazer participar e colaborar para que todo o nosso agro possa tomar decisões mais assertivas e ter resultados ainda melhores”, afirma.

Quando o assunto é dinâmica global do agronegócio e oportunidades para o Brasil, o professor sênior de Agronegócio Global do Insper, Marcos Jank esbanja conhecimento ao dizer que a pecuária ganhou eficiência desde 1990. “Uma revolução no setor é que a pecuária liderou um mundo de terra para a agricultura e a integração da agricultura para a agropecuária tornou a pecuária muito mais eficiente. Lá fora as pessoas acham que estamos queimando a Amazônia para fazer pasto, para aumentar a quantidade de gases, mas na verdade estamos aumentando a quantidade de gado e diminuindo a quantidade de pasto. O mercado será cada vez mais para pecuaristas tecnificados e qualificados, até porque eles estão concorrendo com uma agricultura pujante”, diz Jank.

Para o agronegócio no Brasil continuar a crescer, Jank fala sobre a revolução das ferrovias e das hidrovias. “Hoje temos o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que conseguiram agilizar as concessões que estavam paradas durante todos esses últimos 20 anos. Essa notícia é extraordinária para agricultura brasileira de grãos”, avalia.

Produção eficiente é o segredo do negócio – Aurélio Pavinato, diretor da SLC Agrícola, que  tem uma área 450 mil hectares plantados entre soja, milho e algodão, fala sobre os preços da produção. “Os preços da soja retornaram para patamar no mercado internacional similar ao do ano passado, entre US$ 9,00 / US$ 10,00 por bushel e o câmbio depreciou. Hoje está acima de R$ 4 por dólar, o que permite preço em reais gerando margem adequada para o produtor. Estamos com 60% da soja comercializadas e algodão também. Conseguimos fixar preços convenientes que geram margem adequada para nosso negócio”.

Na visão de Pavinato, o segredo para o sucesso é ter custo de produção baixo mesmo nos momentos de preços baixos, para que os produtores possam ter margens positivas e quando subir terem margens mais interessantes. “A guerra comercial provocou um aumento da importância do Brasil como fornecedor de alimentos para China, já que não quer depender somente dos EUA. O Brasil ficou mais interessante para eles e isso é bom porque sempre teremos compradores para o nosso produto. O produtor precisa se preocupar em ter um sistema de produção eficiente, procurando fazer rotação de cultura para mitigar os efeitos do clima e o mercado”, aconselha .

Reciclando conhecimento – Na plenária, produtores atentos às informações. Osvino Ricardi, proprietário do Grupo Horizonte, que planta no Paraná, Bahia, Tocantins e Maranhão em torno de 40 mil hectares de soja, milho, trigo e algodão, acredita ser muito importante participar de eventos com o Top Farmers porque aprende e fica por dentro de muita novidade. “São muitas coisas novas chegando e precisamos acompanhar o mercado pra ficar na atividade. É um momento de atualização, de conhecer novas pessoas e trocar ideias”.

Quem também marcou presença e levará conhecimento adquirido no evento para seu negócio é o produtor Roberto Itimura. “Estamos sediados no sul do Estado de São Paulo e nossa atividade é a produção agrícola, com foco na consultoria, assistência técnica e pesquisa. Esse evento traz grandes fontes de conhecimento e é uma oportunidade de vermos como as grandes empresas estão acompanhando o crescimento do agro brasileiro no mercado mundial e levar informação para nosso cliente sobre operação, plantio, tratos na colheita, e muito mais.  É preciso também estar antenado no que que vem acontecendo no mercado agrícola mundial para sempre fazer bons negócios”, orienta.

O proprietário Roberto Chioquetta, da Fazenda Santa Amélia, localizada no município de Campo Novo do Parecis, afirmou que planta 4.500 hectares de soja, 3.000 hectares de milho e 500 de girassol e que um dos maiores desafios que tem enfrentado é treinar pessoas e mantê-las e também a desigualdade do câmbio sem preço definido de cada produto para casar venda e compra. “Mas também há oportunidades. Hoje, aprendemos muito e temos que transformar esse conhecimento em ações para dentro da porteira para que tenhamos melhores resultados. O nível dos palestrantes é excelente. Valeu a pena”, disse.

Valorização do agro – Entre temas como sucessão familiar, tecnologia digital, soluções para agricultura mais eficiente e sustentável, agricultura australiana, cenário político e econômico e seus impactos para o agro, saindo do escopo técnico e de capacitação, dois deles também somaram. Um deles é o de  Ana Thereza Ferraz de Almeida Rochelle, engenheira agrônoma e doutoranda em Engenharia de Sistemas Agrícolas e consultora de crédito rural da Caixa Econômica Federal, que falou sobre “O Verdadeiro Agronegócio Brasileiro X Opinião de Digital Influencers sobre o Setor”. “Precisamos nos unir e defender o agro. Temos dados reais baseados em pesquisa e isso precisa ser mostrado para a população. Somos um setor produtivo que visa o agro sustentável, um setor que segue regras, tem uma rentabilidade alta e gera empregos no país. O setor precisa ser enxergado como realmente é e não como o que a mídia muitas vezes divulga como verdade.  Esse evento recebe formadores de opinião, grandes produtores e precisamos começar a nos defender com fontes confiáveis e criar diálogo com os que são de fora do setor”, analisa.

Outro assunto que chamou a atenção e trouxe para os congressistas muita reflexão foi o da diretora executiva do Grupo Conecta, Luciana Martins. Ela falou sobre a paixão para fazer o agro acontecer e apresentou uma pesquisa que fez com os produtores sobre o quão feliz são exercendo a atividade. “Fazer o que ama, entregar o que precisa, trabalhar com paixão e prazer e ser bem pago por isso, isso é propósito. Quando se trabalha feliz, o corpo, mente, relações e espírito estão em equilíbrio, os processos de governança são tranquilos e os que estão ao redor percebem essa felicidade”, afirma.

Ao todo, foram 23 palestrantes abordando 18 temas de extrema importância para o agronegócio.  Além de assistir as palestras, os conferencistas puderam visitar os 29 estandes e ainda aproveitar a programação cultural que este ano trouxe Cezar & Paulinho para um show oferecido em um jantar realizado no fechamento no primeiro dia. Segundo a organização do evento, o volume esperado de negócios e o valor em vendas também foi positivo. De acordo com Luciana Martins, juntos, os produtores que participaram do Top Farmers contabilizam 5 milhões e 500 mil hectares de terras. “Isso mostra a grandeza e a força do setor e o motivo de pensar neles ao realizar esse evento”, diz.

Danilo Bomfim, Luciana Martins e Henrique Santos, diretores do Grupo Conecta e realizadores do Encontro Nacional Top Farmers e outros eventos, contam que o Top Farmers surpreendeu. “Muitos expositores relataram à organização grande volume e qualidade dos contatos realizados, o que tende a se traduzir em novos negócios. Também recebemos feedbacks positivos dos congressistas em relação aos temas, qualidade dos palestrantes e aos conteúdos apresentados”, conclui Danilo.

 

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