Soja: consórcio aumenta ocorrências de ferrugem

A proliferação da ferrugem asiática nesta safra continua se agravando e os números dos alertas sobre a doença seguem aumentando. De acordo com o último dado do Consórcio Antiferrugem, já são 28 ocorrências em todo o Brasil até este momento.

O estado que ainda lidera os casos é o Paraná onde, segundo o consórcio, já são 19 ocorrências. E entre os 169 coletores da Emater PR, no sistema Alerta Ferrugem, o número anterior de 27 deles com a presença dos esporos do fungo causador da ferrugem também já aumentou. A instituição atualiza seus números nesta terça (27) pela manhã.

E a preocupação dos produtores paranaenses é a característica em que se apresentam os esporos nos coletores.

“São esporos esparramados pela lâmina, não estão agrupados, o que significa que eles vieram de muito longe. E outros coletores, de outra s regiões onde estão, mostram a mesma constatação”, diz um produtor de Mangueirinha, no sudoeste do estado. A região é um dos principais focos do Paraná.

Segundo o agricultor, no ano passado, esse mesmo coletor demorou um mês a mais para coletar o esporo. “Esse é um ano diferente. Esse é o momento adequado para nós produtores estarmos fazendo a aplicação dos fungicidas”, diz.

Como reafirma o analista da Embrapa Agropecuária Oeste, Alexandre Roese, em um artigo nesta segunda-feira (26), a principal ferramenta do produtor neste momento é, de fato, o intenso monitoramentos dos campos.

“Mesmo para realizarmos aplicações preventivas de fungicida, precisamos avaliar as lavouras para ver se a aplicação é realmente preventiva ou se a ferrugem já está instalada na lavoura. Isso é muito importante porque se a ferrugem já estiver presente, recomenda-se diminuir o intervalo de tempo entre as aplicações e acrescentar fungicidas multissítios (de contato) no programa de controle”, diz Roese.

E mais do que isso, o especialista lembra ainda que “o cadastro dos focos de ferrugem no Consórcio Antiferrugem é voluntário. Ao mesmo tempo em que é muito importante notificar o Consórcio e as autoridades competentes sobre a ocorrência da doença, pois isso serve de alerta aos produtores, não podemos confiar cegamente na ausência de ferrugem em locais sem relatos de sua ocorrência. Isso reforça a necessidade do monitoramento constante de cada lavoura, especialmente a partir do início do florescimento ou do fechamento das entrelinhas, pois não há como prever com segurança quando a ferrugem vai aparecer”.

As condições climáticas dos últimos meses têm sido bastante favoráveis para a proliferação da doença e, por conta disso, as primeiras lavouras de algumas áreas do Paraná, que já apresentam porte menor, podem também ter menor produtividade por conta do excesso de chuvas e da falta de luminosidade.

O assessor técnico da Coplanta de Pato Branco, Carlos Luciano Uberti, relata que o município é uma dessas cidades onde a situação exige maior acompanhamento e cuidado.

“Nas áreas do cedo, o controle é um pouco mais fácil, e nas áreas do tarde, essas áreas plantadas no final do mês, dia 20, já foram feitas de 4 a 5 aplicações, e estas são áreas que mais preocupam na questão de ferrugem, têm dificuldade maior de controle”, diz Uberti.

Fonte: Notícias Agrícolas